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Ataque ao Irão segue lógica do colonialismo, afirma João Lourenço

O Presidente da República, João Lourenço, acusou esta semana as grandes potências de reproduzirem, no século XXI, as mesmas motivações que sustentaram o colonialismo, ao justificar intervenções militares como as registadas no Iraque e, mais recentemente, no Irão.

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A declaração foi feita durante a 11.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico, que decorre em Malabo, onde o Chefe de Estado angolano traçou um paralelismo directo entre as actuais disputas geopolíticas e a histórica corrida ao controlo de recursos naturais estratégicos, como petróleo, gás e minerais críticos.

Num discurso contundente, João Lourenço alertou para aquilo que descreveu como a transformação do mundo “numa autêntica selva”, onde certas potências invocam o controverso conceito de “ataque preventivo”, à margem do Direito Internacional, para justificar acções militares com base em suspeitas. Para o estadista, este cenário expõe uma lógica de dominação que persiste sob novas roupagens.

Falando em nome de países que, segundo sublinhou, carregam o peso de séculos de exploração, o Presidente defendeu uma maior afirmação política da organização, composta por 79 Estados, exigindo voz activa nas decisões globais que impactam a segurança e a paz internacional. Reforçou ainda a necessidade de um multilateralismo mais equilibrado como antídoto aos conflitos crescentes.

A cimeira marca o fim do mandato de Angola na liderança da organização, com a presidência a transitar para a Guiné Equatorial, representada pelo Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, num momento em que a OEACP procura redefinir o seu papel num mundo em rápida mutação.