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Emprego, estradas e saúde dominam último dia da visita de João Lourenço no Zaire

O Presidente da República, João Lourenço, encerrou esta Quinta-feira a visita de trabalho de dois dias à província do Zaire com uma agenda intensa marcada por audiências reservadas, cobranças ao Executivo local e uma reunião estratégica sobre o estado do país. Empresários, líderes religiosos, juventude e autoridades tradicionais aproveitaram o encontro para expor preocupações ligadas à habitação, emprego, agricultura, turismo e degradação das infra-estruturas.

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No Palácio do Governo Provincial, João Lourenço recebeu representantes da sociedade civil em encontros separados que acabaram por revelar várias inquietações acumuladas na província. O secretário provincial do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola, reverendo Mayenzamene Garcia, apontou dificuldades no sector agrícola e nas vias de acesso, enquanto o Guardião da Corte Real do Kongo, Afonso Mendes, chamou atenção para os impactos sociais das obras em curso no Zaire. Os empresários locais e os representantes da juventude reforçaram preocupações ligadas ao desemprego, défice habitacional e necessidade de dinamização económica.

O ponto mais sensível da jornada surgiu durante a 1.ª Reunião Ordinária do Conselho de Governação Local, orientada pelo chefe de Estado. O Executivo apresentou uma radiografia detalhada do país, revelando que o Programa de Investimento Público contabiliza actualmente 3597 projectos, dos quais 473 já concluídos. O relatório indica ainda uma execução financeira de 33,7 por cento no primeiro trimestre de 2026, num pacote de investimentos superior a cinco biliões de kwanzas, com destaque para escolas, hospitais, estradas, barragens e sistemas de energia.

A reunião ficou igualmente marcada pelo alerta sanitário ligado ao avanço do ébola na República Democrática do Congo e no Uganda. O Ministério da Saúde informou que Angola reforçou o controlo nas fronteiras terrestres, portos e aeroportos internacionais, ao mesmo tempo que apresentou dados sobre a cólera no país. Segundo o Governo, mais de 3,6 milhões de pessoas foram vacinadas contra a doença após o registo de 3894 casos entre Janeiro de 2025 e Maio deste ano.

No sector agrícola, o Executivo garantiu disponibilidade de fertilizantes e sementes para a próxima campanha agrícola, apesar das alterações climáticas que afectaram várias regiões do país. Ainda assim, o Governo admite preocupação com a irregularidade das chuvas, embora destaque resultados considerados animadores nas colheitas de milho e arroz nas regiões Norte, Centro e Leste de Angola.