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Corredor do Lobito não foi poupado em Benguela

A fúria das águas em Benguela paralisou o comboio do minério no Corredor do Lobito e transformou zonas inteiras num cenário de devastação, com casas, pessoas e animais arrastados após o transbordo do rio Cavaco.

Registro autoral da fotografia

Há 3 horas
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Onde antes circulavam composições da Lobito Atlantic Railway, restam agora carris retorcidos, pilares expostos e um manto de lama que testemunha a violência das enxurradas do último fim-de-semana, desencadeadas pelo colapso de um dique.

Relatos no terreno apontam para momentos de pânico absoluto. Moradores descrevem uma subida repentina das águas, que em menos de uma hora engoliu habitações e obrigou à fuga desordenada. “A água subiu de forma assustadora e tomou tudo”, contou um residente, que conseguiu refugiar-se numa casa vizinha após ver o bairro submerso.

A força da corrente destruiu pontes rodoviárias e ferroviárias sobre os rios Cavaco e Halo, forçando a suspensão da circulação numa das mais importantes rotas logísticas do país, essencial para o transporte de minério da República Democrática do Congo até ao Porto do Lobito.

Além das infra-estruturas, desapareceram explorações agrícolas e até um parque com animais exóticos, onde antes se avistavam zebras, avestruzes e jacarés. Sem avançar prazos para a retoma, a concessionária ferroviária garante que a prioridade recai na segurança e na avaliação dos danos, enquanto Benguela enfrenta um dos episódios mais destrutivos dos últimos anos.