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Defesa nacional ganha “músculo”: Angola começa a construir navios de guerra

Angola deu um passo decisivo no reforço da sua soberania militar ao inaugurar, no Lobito, a primeira linha de montagem e manutenção de navios de guerra, assumindo pela primeira vez a produção nacional de meios navais estratégicos.

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A infra-estrutura foi inaugurada esta segunda-feira pelo ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, Francisco Furtado, no estaleiro naval da Lobinave, na província de Benguela, num contexto marcado por crescentes tensões geopolíticas e novas exigências de defesa marítima. O governante sublinhou que o actual cenário internacional impõe aos Estados a criação de capacidades próprias para garantir a sua segurança.

Com 1.650 quilómetros de costa marítima e uma zona económica exclusiva de cerca de 200 milhas náuticas, Angola aposta numa estratégia delineada pelo Presidente da República, João Lourenço, orientada para o reequipamento e a modernização da Marinha de Guerra Nacional, de modo a responder aos desafios da defesa do mar e da costa.

O programa inclui a instalação de centros regionais de coordenação e vigilância marítima, com um já em funcionamento no Soyo, província do Zaire, e outros dois em fase avançada no Lobito e no Namibe, além de uma rede de antenas e sistemas de comunicação para assegurar o controlo efectivo do espaço marítimo nacional.

No domínio da vigilância aérea, a Marinha passou a contar com duas aeronaves C295, entregues em Outubro do ano passado, reforçando a cooperação operacional com a Força Aérea Nacional e abrindo caminho a novos investimentos no sector da defesa.

Além da vertente militar, o projecto prevê a certificação internacional para manutenção e reparação de grandes embarcações mercantes, em parceria com uma empresa naval europeia. Para o presidente do Conselho de Administração da Cimportex, general Luís da Fonseca Sotto Maior Pizarro, este marco representa um ganho estratégico: Angola passa a dispor de autonomia industrial para equipar a sua Marinha e afirmar-se no sector naval regional.