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Guerra na Ucrânia atinge Angola: dois angolanos identificados na lista de recrutados

Pelo menos dois cidadãos angolanos constam entre 1.417 africanos recrutados pela Rússia para combater na guerra contra a Ucrânia, segundo um relatório divulgado este mês pela ONG suíça INPACT, que expõe o que classifica como uma estratégia organizada de captação de combatentes no continente africano.

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No documento intitulado “O negócio do desespero: O recrutamento de combatentes africanos pelo exército russo”, a organização sustenta que, desde 2023, Moscovo intensificou a mobilização de estrangeiros para suprir carências nas suas forças armadas, num conflito que se arrasta desde 24 de Fevereiro de 2022, data do início da ofensiva militar russa em território ucraniano.

Contactada pela agência Lusa, a INPACT identificou os dois angolanos como Luís Urbano da Costa Duarte, nascido em 1970, que assinou contrato em Junho de 2024, e Maxime Rodrigo Talla Nganou, nascido em 1999, que formalizou adesão em Outubro de 2023. O relatório aponta para métodos de recrutamento assentes em promessas de emprego, salários elevados, regularização migratória e até naturalização russa em poucos meses.

A investigação descreve anúncios enganosos nas áreas de segurança privada, construção civil e agricultura, além da actuação de intermediários e redes informais. Muitos dos recrutados, segundo a ONG, terão assinado contratos redigidos em russo, sem domínio da língua, e sido enviados para a frente de combate com treino reduzido ou inexistente.

Os dados revelam ainda que países como Egipto (361 recrutados), Camarões (335) e Gana (234) lideram a lista, enquanto Angola surge com dois casos confirmados. A média de idades dos africanos mobilizados ronda os 31 anos. O relatório não regista, até ao momento, mortes de cidadãos africanos lusófonos no conflito.

A INPACT apela a uma cooperação mais estreita entre Governos africanos para identificar e desmantelar redes de recrutamento, advertindo que a guerra na Ucrânia, considerada a mais grave crise de segurança europeia desde a Segunda Guerra Mundial, continua a gerar efeitos muito além das fronteiras do continente.

C/Lusa