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Encontros secretos com políticos lançam novas dúvidas no “caso dos russos”

As declarações do arguido russo Lev Lakstanov voltaram a agitar o mediático “caso dos russos”, com a defesa a exigir a inclusão de figuras políticas no processo, após referências feitas em plena audiência.

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O advogado David Guz sustenta que os encontros mencionados pelo arguido com dirigentes do MPLA e da UNITA entre os quais Higino Carneiro, Dino Matrosse, Marcos Nhunga e Paulo Lukamba Gato devem ser investigados em profundidade, por poderem esclarecer o alcance real das acusações. Segundo o causídico, a verdade material exige que todos os intervenientes citados sejam chamados a depor.

Durante o interrogatório, Lev Lakstanov admitiu reuniões privadas com essas figuras, nas quais, afirmou, foram abordados temas políticos, negócios e até cenários ligados às eleições gerais de 2027. Revelações que lançaram novas dúvidas e ampliaram o raio de suspeitas em torno do processo.

Apesar do impacto das declarações, o jurista Alberto Quechinancho desvaloriza o seu peso jurídico, defendendo que encontros políticos, por si só, não constituem prova de crime. O especialista alerta ainda para o risco de se construir uma narrativa de instabilidade sem base factual sólida.

Além dos dois cidadãos russos, o processo inclui outros arguidos, entre os quais Buka Tanda, ligado à JURA, e o jornalista Amor Carlos Tomé, num caso que continua a ganhar contornos cada vez mais sensíveis no xadrez político nacional.