FMI pede disciplina ao Governo e alerta para riscos graves na economia angolana
O Fundo Monetário Internacional (FMI) lançou esta Quinta-feira um sério alerta a Angola, defendendo que o país deve aproveitar as receitas do petróleo para reduzir o endividamento e reforçar a resistência da economia face ao agravamento da crise internacional provocada pela guerra no Médio Oriente.

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O aviso foi deixado em Luanda por Vítor Lledo, representante do FMI em Angola, durante a apresentação do relatório sobre as Perspectivas Económicas Regionais da África Subsariana. O responsável alertou que o prolongamento do conflito ameaça agravar a inflação, aumentar a pressão cambial e esfriar o interesse dos investidores pelos títulos da dívida angolana.
Segundo o FMI, Angola enfrenta esta nova fase de turbulência económica com “almofadas fiscais exauridas”, numa altura em que as necessidades de financiamento externo e interno continuam elevadas. A instituição chamou ainda atenção para o declínio da produção petrolífera, sublinhando que o actual alívio financeiro resulta mais da subida do preço do crude do que do aumento da capacidade produtiva do país.
Vítor Lledo defendeu que o Executivo deve evitar despesas acima das previstas no Orçamento Geral do Estado e canalizar as receitas petrolíferas para a redução da dívida, sobretudo a de curto prazo. O FMI recomendou igualmente que os apoios sociais destinados às populações mais vulneráveis sejam temporários e rigorosamente direccionados, numa altura em que uma parte significativa da população continua afectada pela insegurança alimentar.
A instituição financeira internacional insistiu ainda na manutenção de políticas monetárias restritivas e apelou ao relançamento de reformas estruturais, sobretudo no sector privado. O cenário traçado pelo FMI aumenta a pressão sobre as autoridades angolanas, num momento em que o impacto da crise global ameaça atingir em cheio a economia nacional.
C/Lusa
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