Governo entra em modo de alerta face à crise internacional
O Governo admite preocupações com a subida dos preços provocada pela crise internacional, mas afasta medidas precipitadas. O ministro do Planeamento, Vítor Hugo Guilherme, garantiu esta Quinta-feira, em Luanda, que o Executivo está a analisar as recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e anunciará “oportunamente” um pacote de respostas económicas.

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A posição surge numa altura em que Angola enfrenta uma nova vaga de pressão externa, marcada pelo agravamento do conflito no Médio Oriente, pela escassez de combustíveis e pela subida do preço dos fertilizantes. Durante a apresentação do relatório do FMI sobre as Perspectivas Económicas Regionais da África Subsariana, o governante reconheceu que o Executivo partilha várias das preocupações levantadas pela instituição financeira internacional, mas deixou claro que as decisões serão tomadas “com cautela”.
Vítor Hugo Guilherme frisou que o Governo não pretende agir apenas com base em relatórios internacionais, defendendo uma análise aprofundada do impacto da crise na economia nacional. “Oportunamente vamos anunciar as medidas que estão a ser estudadas”, afirmou, assegurando que as futuras decisões terão em conta as dificuldades enfrentadas pelas empresas e pelos cidadãos.
O ministro também revelou divergências com algumas propostas defendidas durante o debate, sobretudo no que toca à eventual redução de impostos aduaneiros. Segundo explicou, o Executivo teme que medidas desse tipo acabem por favorecer as importações e comprometer os ganhos alcançados no reforço da produção nacional. A diferença entre as previsões económicas do Governo e do FMI também ficou exposta: enquanto o Executivo aponta para um crescimento de 4,2 por cento em 2026, o FMI prevê apenas 2,3 por cento.
O alerta mais duro veio do próprio FMI, que avisou que Angola entra nesta nova fase de turbulência internacional com as “almofadas fiscais exauridas”, recomendando contenção nas despesas públicas e redução do endividamento. O cenário aumenta a pressão sobre o Executivo, numa altura em que os preços internacionais ameaçam voltar a atingir em cheio o bolso dos angolanos.
C/Lusa
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