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FNLA em nova guerra interna: Nimi a Simbi rejeita comissão criada pelo Comité Central

A crise na FNLA voltou a subir de tom. O presidente do partido, Nimi a Simbi, declarou nula a comissão preparatória do VI Congresso Ordinário anunciada pelo Comité Central e respondeu às acusações de autoritarismo, rejeitando ser um “ditador” ou violador dos estatutos da histórica formação política angolana.

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Em conferência de imprensa realizada esta Sexta-feira, o líder da Frente Nacional de Libertação de Angola apresentou uma nova comissão nacional preparatória para o congresso agendado para Setembro, liderada por João Roberto Soki-Soki e Carolina Miguel. Nimi a Simbi insistiu que a criação da comissão é competência exclusiva do presidente do partido e desvalorizou a estrutura coordenada por Ndonda Nzinga, aprovada anteriormente por membros do Comité Central. “O resto não existe”, atirou o dirigente, num discurso marcado por fortes críticas internas.

O presidente da FNLA negou igualmente as acusações de “imperador” e “violador dos estatutos”, considerando que os seus opositores actuam de “má-fé” e tentam alimentar divisões dentro da organização. Apesar do ambiente tenso, recusou reconhecer a existência de alas no partido, sustentando que a FNLA continua a funcionar com um único Comité Central e um único Bureau Político.

No meio da disputa pelo controlo do congresso, Nimi a Simbi admitiu dificuldades financeiras graves para organizar o conclave previsto para os dias 23, 24 e 25 de Setembro. O líder partidário confessou que a FNLA sobrevive com apenas cinco milhões de kwanzas mensais e revelou que, em vários momentos, o partido teve de recorrer a “kilapi” para suportar despesas. Ainda assim, mostrou-se optimista e afirmou acreditar em “milagres” para garantir a realização do congresso.

Questionado sobre uma eventual recandidatura à liderança da FNLA, cargo que ocupa desde 2021, Nimi a Simbi afirmou que a decisão caberá aos militantes. O histórico partido angolano, um dos signatários do Acordo de Alvor, continua mergulhado em sucessivas crises internas desde a morte do fundador Álvaro Holden Roberto, em 2007, num cenário que volta agora a expor profundas fracturas na direcção da organização.

C/Lusa