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Greve da ELISAL provoca confrontos e leva trabalhadores à detenção

A greve dos trabalhadores da Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (ELISAL) entrou numa nova fase de tensão esta sexta-feira, depois de o sindicato denunciar a detenção de grevistas e uma alegada intervenção policial com recurso a gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes.

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Segundo o segundo secretário da comissão sindical da ELISAL, Venâncio Pacheco, a acção ocorreu junto às instalações da empresa, no segundo dia da paralisação. O responsável afirmou que o primeiro secretário da comissão sindical e outros cinco trabalhadores foram detidos, acusando as forças policiais de terem actuado com violência contra os participantes da greve. O sindicalista acrescentou que uma trabalhadora necessitou de assistência hospitalar após inalar gás lacrimogéneo.

No centro das reivindicações estão o aumento salarial, os subsídios de alimentação e transporte, melhores condições de trabalho, o pagamento da segurança social e maior transparência nos processos de contratação. Os representantes dos trabalhadores denunciam ainda alegadas disparidades salariais entre funcionários de base e cargos de direcção, bem como recrutamentos efectuados sem informação prévia aos trabalhadores.

Do outro lado, a direcção da ELISAL sustenta que a paralisação não cumpre os requisitos previstos na Lei da Greve. O director de Comunicação e Marketing da empresa, Nelson Pascoal, afirmou que a assembleia que aprovou a greve não reuniu quórum e que a comunicação da paralisação foi entregue fora dos prazos legais. Apesar disso, garantiu que a empresa respondeu a oito dos dez pontos do caderno reivindicativo, permanecendo em aberto apenas as questões ligadas aos subsídios de alimentação e transporte devido a limitações financeiras.

Enquanto a administração reconhece impactos na recolha de resíduos na capital, o sindicato rejeita a alegada ilegalidade da greve e argumenta que a paralisação foi retomada depois de uma providência cautelar apresentada pelo patronato ter perdido efeito junto do Tribunal da Comarca de Luanda. Até ao momento, a Polícia Nacional não se pronunciou sobre as acusações feitas pelos trabalhadores.