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Guerra de bastidores no MPLA: candidatura de João Lourenço pode ser impugnada

A corrida à liderança do MPLA ganhou novos contornos de tensão. António Venâncio e José Carlos de Almeida admitem contestar a validação da candidatura de João Lourenço, alegando irregularidades e violação do calendário eleitoral interno do partido.

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A polémica surgiu depois de a subcomissão de candidaturas ao IX Congresso Ordinário do MPLA ter anunciado, na passada sexta-feira, a validação da candidatura de João Lourenço à presidência do partido, após a aprovação de 98,10% das subscrições apresentadas. Para os dois pré-candidatos, a decisão foi tomada fora dos prazos previamente estabelecidos, numa altura em que, segundo defendem, ainda não deveria existir qualquer validação formal de candidaturas.

António Venâncio classificou o anúncio como uma “derrapagem” da subcomissão, sustentando que o calendário aprovado prevê a verificação da conformidade das candidaturas apenas entre 26 de Outubro e 1 de Novembro. O engenheiro afirmou que já solicitou internamente a correcção da situação e advertiu que, caso não haja resposta satisfatória, o caso poderá seguir para o Tribunal Constitucional, após o esgotamento dos mecanismos internos do partido.

Também José Carlos de Almeida promete avançar com uma reclamação formal, apontando alegadas falhas no processo de candidatura de João Lourenço. O jurista questiona a forma como foram recolhidas as assinaturas de apoio e considera que existiram desigualdades no acesso aos meios necessários para a recolha de subscrições. Na sua óptica, as alegadas irregularidades podem comprometer a credibilidade do processo e abrir espaço para uma eventual impugnação do congresso.

A contestação junta-se às reservas já manifestadas por Higino Carneiro, que também terá solicitado a impugnação da candidatura do actual líder do MPLA. Enquanto a disputa interna ganha intensidade, João Lourenço mantém a corrida à liderança do partido, embora esteja constitucionalmente impedido de concorrer a um terceiro mandato como Presidente da República nas eleições gerais de 2027.