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Luanda concentra mais de metade do crédito e expõe fragilidades do sistema

O crédito à economia real registou crescimento em 2025, atingindo 1,36 biliões de kwanzas, mas manteve-se fortemente concentrado na província de Luanda e nas grandes empresas, enquanto 17 por cento das operações já apresentam sinais de incumprimento, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

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De acordo com o governador do BNA, Tiago Dias, o volume de crédito aumentou 22,6 por cento face a 2024, revelando indicadores considerados encorajadores, embora abaixo do ritmo observado no ano anterior, quando o crescimento rondou os 30 por cento.

No âmbito do Aviso n.º 10/2024, que regulou todo o crédito concedido ao sector real da economia no ano passado, foram desembolsadas 1110 operações, das quais 194 se encontram em incumprimento. Para o banco central, este instrumento confirmou-se como essencial para o financiamento da actividade económica.

Os dados mostram que Luanda absorveu 51,44 por cento do crédito concedido, uma percentagem ainda elevada, mas inferior aos picos de cerca de 70 por cento registados em anos anteriores. As grandes empresas beneficiaram de 54 por cento do total, enquanto várias províncias, sobretudo na região leste, continuam praticamente excluídas do acesso ao financiamento.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, Vicente Soares, reconheceu que o Aviso 10 facilitou o acesso ao crédito, antes considerado extremamente difícil, mas admitiu que micro, pequenas e médias empresas enfrentam obstáculos significativos para cumprir os critérios exigidos, defendendo maior acompanhamento e a definição de quotas que permitam uma distribuição mais equilibrada do crédito em todo o país.