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Pressão da dívida leva Angola para a lista negra do risco financeiro africano

Angola surge entre os países africanos com risco elevado de incumprimento financeiro, num alerta lançado pela consultora britânica Oxford Economics, que aponta o peso da dívida e as fragilidades cambiais como factores centrais de preocupação para 2026.

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Numa análise dedicada às principais tendências económicas da África subsaariana, os peritos da consultora colocam Angola, Moçambique, Maláui e Senegal no grupo mais exposto a um eventual default ou a processos de reestruturação da dívida, num contexto marcado por orçamentos pressionados e menor margem financeira dos Estados.

No caso angolano, o relatório destaca ainda a possibilidade de subida das taxas de juro de referência, motivada pela evolução do câmbio e pelo agravamento das incertezas em torno da política orçamental. Entre 24 economias analisadas, Angola destaca-se como uma das poucas onde os analistas antecipam um aperto monetário, ao contrário da tendência de estabilidade observada na maioria dos países.

A Oxford Economics revê igualmente em baixa as previsões de crescimento económico para Angola, que passam de 3,2% para 2,8%, reflectindo os constrangimentos associados ao serviço da dívida e à menor capacidade de investimento público em sectores estratégicos.

O relatório enquadra este cenário numa crise estrutural da dívida africana, agravada pelo peso dos Eurobonds e pelos elevados encargos com credores externos, realidade que, segundo a ONU, continua a retirar espaço financeiro a áreas vitais como a saúde, a educação e as infra-estruturas.

Apesar de agências como a Fitch Ratings reconhecerem uma redução gradual do rácio da dívida angolana face ao PIB, os analistas alertam que o ritmo de descida abranda e que as amortizações externas deverão atingir um pico em 2025, mantendo elevada a pressão sobre as contas públicas nos próximos anos.