“Não podemos continuar assim”: oposição quer trazer modelo português para o palco eleitoral angolano
Adalberto Costa Júnior defende que Angola deve adoptar debates públicos entre candidatos às eleições gerais, à semelhança do que sucede em Portugal, e considera que a ausência desse exercício compromete a qualidade da democracia no país.

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Em declarações à agência Lusa, ao comentar as recentes eleições presidenciais portuguesas, o líder da UNITA elogiou a “pluralidade absoluta” dos debates e o ambiente “completamente democrático” em que decorreram. Segundo afirmou, o contraditório foi levado ao limite da obrigação de apresentação de programas e ideias aos eleitores, algo que, no seu entender, continua por cumprir em Angola.
Costa Júnior revelou ter enviado uma mensagem de felicitação ao Presidente eleito, António José Seguro, vencedor da segunda volta realizada no passado domingo, e sublinhou que Angola pode retirar lições claras do processo português, sobretudo no que toca à transparência e à divulgação célere dos resultados. “Não há razão para esperar dois, três ou quatro dias. Basta abraçar a tecnologia”, frisou.
O presidente da UNITA criticou o que classificou como práticas que negam o pleno exercício democrático no país e insistiu na necessidade de mudanças estruturais no processo eleitoral. Para o maior partido da oposição, a modernização do sistema passa por debates abertos e por um apuramento rápido e credível dos votos.
Recém-regressado de um périplo europeu, onde contactou comunidades angolanas, Costa Júnior manifestou preocupação com a saída de quadros jovens do país, alertando para o risco de Angola não enfrentar os desafios da modernidade e da estabilidade caso não se estanque essa “sangria”. Aproveitou ainda para apresentar o livro Juntos por Angola, que enquadra como ponte entre as eleições de 2022 e os desafios de 2027, com enfoque na transparência.
Em Bruxelas, manteve contactos diplomáticos com vista à eventual presença de observadores do Parlamento Europeu nas próximas eleições angolanas. Embora o convite formal caiba ao Governo, advertiu que recusar observadores internacionais poderá fragilizar a imagem externa do país, sobretudo num momento em que projectos estratégicos como o Corredor do Lobito exigem estabilidade e confiança institucional.
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