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“Não vou desistir”: Higino Carneiro denuncia perseguição política após chamada à PGR

O general na reforma Higino Carneiro denunciou esta Quarta-feira alegadas motivações políticas por detrás da reabertura de um processo judicial contra si, numa altura em que disputa a liderança do MPLA. O político foi chamado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para ser notificado sobre um caso anteriormente arquivado.

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Higino Carneiro permaneceu cerca de meia hora nas instalações da PGR, em Luanda, e à saída revelou que o processo está relacionado com uma alegada burla envolvendo viaturas. Segundo explicou, o caso já tinha sido encerrado e até o queixoso desistira da acusação, mas acabou inesperadamente reactivado. “Não pode ter outro sentido, senão o facto de eu estar envolvido nesta campanha para a liderança do partido”, afirmou, deixando no ar suspeitas de perseguição política.

Apesar da pressão, o antigo governador garantiu que não vai abandonar a corrida à presidência do MPLA. Pelo contrário, apelou aos seus apoiantes para continuarem o trabalho de recolha de assinaturas “apesar dos obstáculos” que, segundo disse, têm surgido em várias províncias. Higino Carneiro revelou ainda que a sua candidatura já reuniu perto de 10 mil subscrições, embora tenha sido obrigada a repetir parte do processo por exigência da Subcomissão de Candidaturas.

O político também lançou críticas indirectas ao apoio manifestado pelo Bureau Político do MPLA à recandidatura de João Lourenço, defendendo que a democracia interna exige “igualdade de circunstâncias” e respeito absoluto pelos regulamentos partidários. “Se alguém quiser apoiar um candidato, deve fazê-lo sem envolver as estruturas do partido”, frisou.

Além de Higino Carneiro e João Lourenço, também José Carlos Almeida e António Venâncio pretendem disputar a liderança do MPLA no congresso marcado para Dezembro. O processo eleitoral interno decorre num clima cada vez mais tenso, numa fase decisiva para o futuro do partido que governa Angola desde 1975.

C/Lusa