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Nimi a Simbi é teimoso: histórico dirigente da FNLA disposto a destruir o partido

O histórico dirigente da Frente Nacional de Libertação de Angola, Ngola Kabangu, reconheceu uma crise interna no partido e apontou directamente o dedo ao actual presidente, Nimi a Simbi, acusando-o de “teimosia” e desrespeito pelos estatutos.

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As declarações foram feitas em Luanda, à margem de uma palestra alusiva aos 64 anos da FNLA, onde Kabangu admitiu um ambiente de “crispação interna”, mas mostrou-se confiante de que o congresso marcado para Setembro poderá abrir caminho à reconciliação. Ainda assim, lamentou a ausência do líder do partido no encontro, num sinal que agrava as tensões.

Num discurso carregado de críticas, o antigo presidente da FNLA acusou Nimi a Simbi de promover divisões e de abandonar reuniões do Comité Central, sublinhando que a liderança actual tem falhado no respeito pelas regras internas. Apesar disso, rejeitou a existência de alas dentro da organização, defendendo que essas clivagens ficaram para trás após o congresso de reconciliação de 2021.

Kabangu, que liderou o partido entre 2007 e 2011, garantiu não disputar qualquer cargo no próximo congresso, afirmando apostar numa renovação geracional para revitalizar a FNLA com vista às eleições de 2027. O dirigente, suspenso dos órgãos internos em 2025, insistiu que a sua intervenção visa evitar o declínio do partido histórico.

Fundada em 1962 por Álvaro Holden Roberto, a FNLA desempenhou um papel central na luta de libertação de Angola. Kabangu recordou esse legado e defendeu maior valorização dos antigos combatentes, propondo ainda a construção de um monumento conjunto que homenageie António Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi, figuras-chave do Acordo de Alvor.