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ONG denuncia “máquina de controlo” e acusa influência chinesa de fragilizar democracia angolana

Um estudo apresentado nos Estados Unidos lançou novas suspeitas sobre o estado da democracia em Angola. A organização não-governamental Friends of Angola (FoA) acusa o financiamento externo sem transparência, a vigilância digital e a manipulação da informação de sustentarem a longevidade do poder político e acelerarem a erosão democrática no país.

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O relatório, assinado pelo director executivo da FoA, Florindo Chivucute, sustenta que o actual modelo de governação beneficia de mecanismos externos que fragilizam instituições democráticas e reduzem a fiscalização do Executivo. Segundo o investigador, o financiamento proveniente da China, recebido desde o fim da guerra civil, criou uma “dívida astronómica” sem resultados visíveis para a maioria da população. O responsável considera ainda que parte desses recursos terá servido para consolidar um sistema político fechado e altamente centralizado.

A pesquisa, intitulada “Promovendo o Autoritarismo – Como a China e a Rússia Comprometem o Potencial da Democracia em Angola”, aponta também a vigilância digital como uma das principais ferramentas de controlo social. Florindo Chivucute refere a existência de câmaras espalhadas sobretudo por Luanda e denuncia alegados mecanismos de espionagem contra jornalistas e activistas, alertando para um ambiente de crescente intimidação e manipulação da informação pública.

O estudo critica igualmente a falta de transparência nas adjudicações públicas e acusa empresas chinesas e russas de operarem em Angola sem fiscalização adequada. Para a FoA, a ausência de independência efectiva entre os poderes Executivo, Legislativo e Judicial enfraquece os mecanismos de controlo democrático e compromete a integridade eleitoral. A organização defende reformas urgentes, maior escrutínio sobre os empréstimos externos e uma sociedade civil mais activa na exigência de prestação de contas.

Apresentada em Washington no âmbito de uma bolsa financiada pela National Endowment for Democracy, a investigação conclui que o retrocesso democrático moderno já não depende apenas de golpes militares, mas de formas mais discretas de influência política, tecnológica e financeira, capazes de moldar regimes e silenciar vozes críticas sem recurso à força.