Os segredos que as escolas e os professores não ensinam
Uma reflexão crítica sobre educação, poder e sobrevivência no sistema escolar angolano.

Registro autoral da fotografia
Por Alberto Salembe
Vivemos num tempo em que a educação formal é magnificada como a panaceia universal para o desenvolvimento pessoal e colectivo. Em Angola, o discurso oficial venera a escola enquanto motor de transformação social. Todavia, há saberes fundamentais que nem as escolas nem os professores ensinam, não porque falham, mas porque o sistema escolar está estruturado de modo a reproduzir certas formas de poder e a omitir conhecimentos cruciais para a cidadania crítica.
Não é nossa intenção criticar ou desprezar os professores e as escolas, longe disso. Pelo contrário, queremos contribuir de alguma forma para que, juntos, possamos chegar ao conhecimento da verdade. Afinal, ninguém jamais chegou longe por si só. É sempre um trabalho conjunto que garante resultados duradouros.
A escola e os professores sempre fizeram o seu trabalho. Porém, precisamos admitir que para a conjuntura do mundo, hoje, precisamos de um novo paradigma que, infelizmente, a escola e os professores não ensinam.
Quando se percebe que a escola e os professores já não estão à altura de responder às expectativas das pessoas, a criação de um documento baseado nas nossas vivências e realidades é, certamente, importante e urgente.
É com base nesta necessidade que tomamos a iniciativa de escrever este artigo sobre os segredos que as escolas e os professores não ensinam.
Os nossos jovens têm o direito de saber o que realmente se está a passar. Cresce o número de pessoas que termina a formação e, infelizmente, não consegue aplicar tais conhecimentos na vida prática. Ou seja, parece existir uma dicotomia entre o que se aprende na escola e o que realmente se precisa na vida.
Temos a certeza que esses segredos, uma vez aprendidos e apreendidos, saberão os jovens o que fazer, de modo a conseguirem melhores resultados na sua vida.
Não estamos com isso a prometer absolutamente nada. Este artigo não possui nenhuma fórmula mágica para mitigar os desafios sobre a educação e a vida, apenas estamos a sugerir que os nossos jovens podem e devem ser libertos, para chegarem ao conhecimento da verdade.
Na medida em que fomos remando para os outros mundos, conseguimos perceber e entender, que existe uma grande diferença entre a vida na escola e a escola da vida, onde na vida da escola tudo é sistematizado e padronizado, enquanto na escola da vida é o inverso.
Memorizar as matérias, ser proactivo e depois de terminar procurar por um bom emprego, se for no estado melhor, para que possa garantir o nosso futuro e, consequentemente, garantir a nossa reforma. Assim nos apresenta a vida da escola.

Na escola da vida nos ensinam que fazer universidade não é sinónimo de ser bem-sucedido e não fazer universidade, hoje, não é sinal de ser fracassado na vida e o emprego no estado não garante, necessariamente, a nossa reforma, pois a maior parte das pessoas bem-sucedidas do mundo e, particularmente em Angola, não trabalha unicamente para o estado e também não trabalham duro, mas sim de forma inteligente.
Entretanto, enquanto o tempo foi passando, notamos que algumas perguntas, à partida, não tinham respostas na vida escolar por parte dos professores, tais como:
1- O que fazer?
2- Como fazer?
3- Para que fazer
4- Onde fazer?
5- Quando fazer?
Essas perguntas, no nosso entender, são as mais colocadas na escola da vida, onde as coisas são mais exigentes e urgentes, no que à vivência diz respeito e, a nosso ver, os professores e a escola, muitas vezes, não dão respostas a estas questões no processo de formatação do estudante.
Para tal, achamos por bem compilar esse material, que também não é uma fórmula mágica, para dar resposta às exigências da escola da vida, mas acreditamos que será um contributo para entender os vários segredos que as escolas e os professores não ensinam, porém, a sociedade e a vida exigem de nós.
Como afirma Paulo Freire, referindo-se ao ensino bancário, “educar é impregnar de significado o que se ensina e o que se aprende” (FREIRE, 1996, p. 44).
É precisamente essa significação que falta quando se omitem segredos profundos sobre a realidade social, económica e psicológica dos alunos.
1. O segredo da “relevância” curricular
As escolas ensinam conteúdos muitas vezes descolados da vida real dos estudantes. No contexto angolano, por exemplo, temas como comunicação assertiva, alfabetização financeira, compreensão das dinâmicas de riqueza e pobreza locais, e gestão de projectos comunitários, empreendedorismo, propósito de vida, inteligência emocional e orientação vocacional e profissional raramente constam no currículo oficial. Isto apesar de serem competências vitais para a sobrevivência e emancipação.
Michael Apple afirma que “a educação não é neutra; ela reproduz e legitima certas ideologias dominantes” (APPLE, 2004, p. 69). Assim, o currículo escolar torna-se, muitas vezes, um mecanismo de reprodução de normas que ignoram as experiências e necessidades quotidianas dos alunos.
Se questionarmos algumas pessoas sobre o porquê de terem nascido, garanto-lhe que poucas saberão dizer ao certo. Isto tem uma série de implicâncias em todas as áreas da vida. Porque quando a pessoa não descobre o porquê do seu nascimento, raramente terá uma inserção sólida na sociedade.
Quem descobre o seu propósito de vida, fez a descoberta da existência, consegue viver e enfrentar o mundo de forma orientada, tal como afirma Martin Luther King Jr: Se um homem ainda não descobriu algo pelo qual morrer, não está preparado para viver.
Um dos elementos fundamentais da existência humana é descobrir o propósito de vida. Quando descobrimos porque nascemos, fazemos, sem dúvidas, a maior descoberta da nossa própria existência.
Quem somos? De onde viemos? O que estamos a fazer aqui? Para onde vamos?
Saber responder a essas questões fazem toda a diferença e, infelizmente, isso não se ensina e nem se aprende na escola.
Os alunos querem ser felizes. Mas, o sistema tenta a todo o custo desviá-los da rota. Muitos alunos fazem cursos que odeiam, seguem profissões que detestam, tudo para alegrar os outros.
Porque as escolas e os professores não apresentam todas as alternativas aos alunos, ao invés de apresentar sempre as mesmas profissões?
Eles sempre perguntam: O que queres ser quando for grande? A intenção deste tipo de pergunta por parte de alguns professores é sobejamente conhecida. Eles esperam ouvir o que é comum. Por exemplo: quero ser professor, Médico, Jornalista, Engenheiro, Polícia, Bombeiro, etc. Estes professores não esperam respostas incomuns, tal como aconteceu neste testemunho de John Lennon:
“Quando eu tinha cinco anos de idade minha mãe sempre me dizia que a felicidade era a chave para a vida. Quando eu fui para a escola, eles (os professores) perguntaram-me o que eu queria ser quando crescesse. Eu escrevi “feliz”. Disseram-me que eu não entendi a tarefa, e eu disse que eles não entendiam a vida”.
Portanto, porque não falar aos alunos desde cedo que, a melhor maneira de se viver é se conectar ao seu propósito de vida e ser feliz?
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