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Portugal perde influência em Angola e João Lourenço vira-se para novas potências, diz investigador

Portugal está a perder terreno na relação com Angola e já não ocupa a posição estratégica que durante décadas manteve junto das autoridades angolanas. A avaliação é do investigador Rui Verde, que defende que a política externa de João Lourenço alterou profundamente os equilíbrios diplomáticos, aproximando o país de novos parceiros internacionais e afastando-o de antigas dependências.

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Em declarações à Lusa, a propósito do lançamento do livro Breve História de Angola desde a Independência (1975-2025), Rui Verde afirma que uma das mudanças mais marcantes ocorreu na relação com a Rússia. O académico destaca o recente julgamento de alegados agentes ligados ao universo pós-Wagner, acusados de tentativa de subversão, classificando o episódio como um sinal claro do arrefecimento dos laços entre Luanda e Moscovo.

O investigador observa igualmente uma redefinição da parceria com a China. Segundo explica, Angola procura reduzir a dependência dos modelos de financiamento adoptados no passado, que associavam empréstimos chineses à execução de obras por empresas do mesmo país, com reembolso garantido através das receitas petrolíferas. Na sua análise, esse modelo criou constrangimentos financeiros significativos e está agora a ser revisto pelas autoridades angolanas.

Quanto a Portugal, Rui Verde considera que a ligação permanece forte do ponto de vista histórico, cultural e humano, mas perdeu peso no plano estratégico e económico. Em contrapartida, salienta a crescente aproximação de Angola a países como França, Espanha, Alemanha e Reino Unido, numa estratégia que procura diversificar alianças e reforçar a presença do país nos principais centros de decisão internacionais.

No continente africano, o académico destaca o protagonismo de João Lourenço nos esforços de mediação do conflito na República Democrática do Congo e admite que esse percurso, aliado à presidência da União Africana e ao reconhecimento como Campeão da Paz, poderá abrir caminho a futuras responsabilidades internacionais após o termo do seu mandato presidencial, em 2027.

C/Lusa