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“Quase inútil”: Adebayo Vunge faz críticas à CPLP e admite a sua extinção

Trinta anos após a sua criação, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) está longe de cumprir as expectativas que gerou. A avaliação é do consultor e escritor angolano Adebayo Vunge, que classificou a organização como “quase inútil” e defendeu uma reflexão profunda sobre o seu futuro, incluindo a possibilidade da sua extinção.

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Em declarações prestadas à Lusa durante a apresentação dos livros Impressões Digitais e Pensar África, na Feira do Livro de Lisboa, Vunge afirmou que esperava um papel muito mais relevante da CPLP, sobretudo nos domínios político e cultural. Para o académico, a organização tornou-se uma estrutura cuja utilidade é cada vez mais questionada pelos cidadãos dos países lusófonos, motivo pelo qual considera necessário repensar o seu modelo de funcionamento ou, em alternativa, admitir o seu fim.

O autor apontou ainda a questão da mobilidade e dos vistos como um dos exemplos mais evidentes das limitações da comunidade. Nesse contexto, referiu-se à nova lei da nacionalidade portuguesa como um tema particularmente sensível, defendendo que, apesar de cada Estado procurar proteger os seus interesses, determinadas decisões acabam por afectar a relação histórica entre povos que partilham laços culturais e linguísticos profundos.

Questionado sobre a actualidade política angolana, nomeadamente a intenção de João Lourenço concorrer à presidência do MPLA, Adebayo Vunge reconheceu a existência de dúvidas e interpretações divergentes em torno do processo, mas considerou prematuro retirar conclusões definitivas. Ainda assim, manifestou confiança de que o debate decorra dentro dos princípios legais, éticos e republicanos.

Além da actividade académica e de consultoria, Vunge mantém intervenção regular em matérias ligadas à economia, política e comunicação social. Autor de quatro obras publicadas, o antigo jornalista da TPA, Novo Jornal e Jornal de Angola desempenhou também funções de Director de Comunicação Institucional do Ministério das Finanças e de Adido de Imprensa na Embaixada de Angola em França.