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RDCongo quer reduzir custos logísticos e reforçar exportações pelo Corredor do Lobito

A República Democrática do Congo (RDCongo) prepara-se para relançar o eixo ferroviário estratégico que liga as suas zonas mineiras ao Atlântico, com um concurso internacional para a reabilitação da linha férrea até Angola e a adopção de um novo modelo de gestão do Corredor do Lobito. O anúncio foi feito esta quinta-feira, em Luanda, pelo vice-primeiro-ministro congolês, Jean-Pierre Bemba, durante a Reunião de Alto Nível do Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito.

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O governante revelou que o concurso será lançado em Abril e terá como peça central a recuperação do troço Dilolo–Kolwezi, considerado vital para assegurar a ligação ferroviária da RDCongo ao porto do Lobito. Segundo Bemba, esta intervenção representa uma viragem estrutural para a integração logística da sub-região e reforça o papel do corredor como eixo económico continental.

Na sua intervenção, o vice-primeiro-ministro sublinhou que o Corredor do Lobito ultrapassa a lógica de uma simples infra-estrutura de transporte, assumindo-se como “uma escolha estratégica para a transformação económica”, capaz de reforçar a soberania logística, impulsionar a integração regional entre Angola, Zâmbia e RDCongo e reposicionar a África Austral nas cadeias de valor globais.

A modernização da linha férrea, que se estende de Dilolo, junto à fronteira angolana, até Lubumbashi, na região do Catanga, deverá reduzir os custos logísticos da RDCongo em pelo menos 30 por cento, aumentar a segurança e competitividade das exportações de cobre, cobalto e lítio, estimular a criação de polos industriais e gerar emprego ao longo do corredor.

Jean-Pierre Bemba adiantou ainda que os estudos de viabilidade do troço Tenké–Kolwezi–Dilolo já estão concluídos e que o objectivo passa por aumentar o número de comboios mensais de 40 para 60 até ao final do ano. A meta é atingir um milhão de toneladas de importações e exportações no primeiro ano após a reabilitação total, com a ambição de alcançar cinco milhões de toneladas nos três anos seguintes.

O responsável confirmou igualmente a preparação de uma nova lei ferroviária, que separa infra-estruturas e operações, cria uma autoridade reguladora e estabelece dois veículos de gestão distintos, abrindo espaço à participação de operadores privados. Com o apoio financeiro já confirmado de parceiros internacionais, incluindo um compromisso de 500 milhões de dólares do Banco Mundial, a RDCongo defende que o eixo Dilolo–Kolwezi–Tenké–Sakania seja assumido como prioridade absoluta do Corredor do Lobito, com o arranque das obras previsto até ao último trimestre de 2026.