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Rei chokwe reforça alerta do Papa e denuncia “onda perigosa” de feitiçaria

O rei chokwe Mwatchissenge Wa Tembo alinhou com a posição do Papa Leão XIV e deixou um aviso contundente: a feitiçaria está a ganhar terreno no Leste de Angola e exige uma resposta urgente e coordenada para travar o fenómeno.

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Em declarações, o soberano considerou que a condenação feita pelo Papa, em Saurimo, “faz todo o sentido”, sublinhando que a prática tem vindo a intensificar-se e já provoca graves fracturas sociais. Defendeu, por isso, uma acção concertada entre igrejas, autoridades tradicionais e o Estado para conter o avanço do problema.

O rei rejeitou a associação entre feitiçaria e tradição, frisando que existe uma diferença clara entre os valores ancestrais e práticas que hoje, segundo disse, estão a ser alimentadas por influências externas e pela proliferação de determinadas seitas religiosas. Alertou ainda para o aumento de acusações contra crianças e idosos, realidade que classificou como alarmante e distante dos costumes do passado.

Mwatchissenge apontou as zonas urbanas como epicentro deste fenómeno, onde, afirmou, surgem acusações que levam à ruptura de famílias e ao abandono de pessoas vulneráveis. Defendeu que casos que atentem contra a dignidade humana devem ser encaminhados para a Justiça, embora reconheça o papel das autoridades tradicionais na mediação de conflitos menos graves.

O líder tradicional apelou, por fim, à valorização do poder tradicional e à união de esforços de toda a sociedade, incluindo jornalistas, para travar aquilo que considera uma ameaça crescente. A posição surge após a visita de três dias do Papa Leão XIV a Angola, marcada por fortes mensagens sociais e críticas às injustiças e desigualdades.