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Sem casos humanos desde 2020, Angola reforça combate final à dracunculose

Angola entra numa fase decisiva da luta contra a dracunculose e reforça a meta de erradicar a doença até 2030, com a realização, esta semana, de uma revisão nacional das estratégias de combate, numa acção coordenada pelo Ministério da Saúde com apoio internacional.

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O encontro decorre nos dias 24 e 25 de Fevereiro, em Ondjiva, província do Cunene, e junta autoridades centrais e locais, parceiros técnicos e representantes comunitários, com o objectivo de avaliar os resultados de 2025 e redefinir prioridades para acelerar a eliminação definitiva da doença, com o respaldo da Organização Mundial da Saúde e do The Carter Center.

Durante os trabalhos, as equipas vão escrutinar a vigilância activa, a capacidade de detecção e gestão de casos suspeitos, o desempenho das estruturas provinciais e municipais e a eficácia da resposta rápida, além de actualizar o Plano Nacional de Erradicação da Dracunculose para 2026 e alinhar as acções operacionais nas zonas endémicas.

Os dados apresentados revelam avanços expressivos: Angola não regista casos humanos desde 2020, após confirmações laboratoriais em 2018, 2019 e 2020, um marco atribuído ao reforço da vigilância e ao envolvimento directo das comunidades. Ainda assim, a transmissão em animais mantém-se como o principal desafio, com 137 infecções confirmadas entre 2018 e 2024 e mais 70 notificadas em 2025, sobretudo em cães.

Para o representante da OMS em Angola, Indrajit Hazarika, a eliminação da dracunculose no país “é realista, viável e está ao nosso alcance”, sublinhando que os progressos resultam da liderança governamental, do compromisso comunitário e do apoio técnico contínuo dos parceiros internacionais.

Num contexto global em que 2025 registou apenas 10 casos humanos da doença — o número mais baixo de sempre, Angola surge como peça-chave na corrida final contra uma infecção associada à pobreza extrema e à falta de água potável, num momento que exige transformar compromissos políticos em acções firmes para garantir que nenhum cidadão volte a ser afectado.