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UNITA acusa Governo de empobrecer Angola e questiona papel do Presidente da República

A UNITA lançou duras críticas ao estado socioeconómico do país e questionou directamente o papel do Presidente da República, afirmando que Angola atravessa um ciclo profundo de empobrecimento das famílias, das empresas e de degradação das instituições.

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Durante a apresentação da declaração política do partido, esta quinta-feira, na Assembleia Nacional, a presidente do grupo parlamentar da UNITA, Albertina Ngolo, denunciou o agravamento contínuo do custo de vida, a persistência da inflação e a erosão dos salários, factores que, segundo afirmou, estão a destruir a classe média e a empurrar milhões de angolanos para a pobreza.

A deputada alertou para o facto de a cesta básica se ter tornado inacessível para a maioria da população e criticou a manutenção de um salário mínimo baixo e sectorizado, que, no seu entender, institucionaliza desigualdades e contraria o princípio constitucional da dignidade humana.

Recorrendo a dados da organização internacional World Poverty Clock, Albertina Ngolo afirmou que Angola “ficou 82 por cento mais pobre em oito anos”, passando de 13,9 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, em 2017, para cerca de 18 milhões em 2021, podendo atingir 20 milhões até 2030.

A líder parlamentar evocou ainda episódios que, segundo disse, espelham o drama social vivido no país, como a procura de alimentos em contentores de lixo, lembrando a morte recente de dois adolescentes num camião de recolha de resíduos, e apontou uma acentuada degradação nos sectores da educação, saúde e liberdades fundamentais.

No plano político, Albertina Ngolo acusou o Presidente João Lourenço de concentrar excessivamente o poder, restringir o espaço democrático, recorrer aos órgãos de defesa e segurança para silenciar protestos e adoptar uma postura conivente, enquanto presidente da União Africana, face a processos eleitorais considerados opacos em vários países do continente.