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25 milhões de euros lançam primeira fábrica nacional de soda cáustica

Angola prepara-se para inaugurar, a 30 de Junho, a primeira fábrica de soda cáustica do país, um projecto industrial avaliado em 25 milhões de euros que promete abalar o mercado das importações e colocar Benguela no mapa químico africano.

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Instalada no município da Baía Farta, província de Benguela, a unidade baptizada Calombolo Química, pertencente ao grupo Adérito Areias, já alcançou 85 por cento de execução física. Trata-se da terceira fábrica do género em África e produzirá soda cáustica, hipoclorito de sódio e ácido clorídrico, substâncias essenciais para o tratamento de água, indústria mineira e higienização industrial. A conclusão sofreu um atraso de 45 dias devido a constrangimentos financeiros, mas a direcção garante que apenas faltam acabamentos na área administrativa e arranjos exteriores.

Com uma área de cinco mil metros quadrados, a fábrica terá capacidade para 65 toneladas diárias. Ainda assim, a produção máxima só será atingida seis meses após o arranque, uma vez que o processo industrial contínuo exige estabilização térmica e de pressão até alcançar o pico operacional.

Num município marcado pela escassez de água potável, a solução passa pela captação diária de 400 mil litros de água do mar, sujeitos a dessalinização, dos quais apenas metade será aproveitada. A exigência energética é igualmente elevada: entre 1,5 e dois megawatts por hora, assegurados pela rede pública e por quatro geradores de 750 kVA, capazes de garantir autonomia até três megawatts, apoiados por rectificadores estabilizadores para evitar oscilações.

Financiada maioritariamente por bancos alemães, via Deutsche Bank, e com 10 por cento de capitais próprios, a unidade já assegurou clientes de peso, como a Refriango e a Soba Catumbela, que utilizam soda cáustica na lavagem e desinfecção de garrafas retornáveis. A produção destina-se também a pequenos operadores, incluindo produtores artesanais de sabão. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, Angola importa anualmente cerca de 650 milhões de dólares destes produtos; a nova fábrica poderá reduzir esse volume em pelo menos 10 por cento. A operar 24 horas por dia com 45 trabalhadores, entre os quais dez engenheiros angolanos formados localmente e especializados em Espanha, o grupo já reserva espaço para uma segunda unidade, que avançará após consolidação plena da primeira.