Acordo assinado, crimes continuam: M23 e tropas do Ruanda executam-se no leste da RDC
A Organização das Nações Unidas revelou acusações graves contra o M23 e forças militares ruandesas, apontando a prática de execuções sumárias e detenções arbitrárias no Leste da República Democrática do Congo, apenas dias depois da assinatura de um acordo de paz entre Kinshasa e Kigali nos Estados Unidos da América.

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De acordo com o relatório, prestes a ser oficialmente divulgado, milícias do M23 e efectivos ruandeses terão levado a cabo actos considerados “deliberados e sistemáticos”, que provocaram deslocamentos em massa e aprofundaram a instabilidade em Kivu do Norte e Kivu do Sul. A ONU não adianta datas nem números exactos, mas afirma que a violência continua a empurrar milhares de civis para a fuga.
O documento, citado pela RFI, acusa directamente o exército do Ruanda de operar ao lado do M23 em ofensivas contra as Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR), um grupo composto por elementos ligados ao genocídio de 1994. Segundo os peritos internacionais, habitações de civis hutu associados às FDLR foram destruídas e incendiadas de forma sistemática.
A ONU estima que entre seis mil e sete mil militares ruandeses permaneçam posicionados no território congolês, apesar de Kigali jamais ter confirmado oficialmente a sua presença. A persistência destas tropas reforça o clima de desconfiança e agrava o risco de escalada militar na região.
O relatório também aponta responsabilidades ao governo congolês, que, apesar de se comprometer no acordo de Washington a neutralizar as FDLR, continua a manter colaboração com o grupo, alimentando um ciclo de tensões que o pacto de paz ainda não conseguiu travar.
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