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Alta tensão entre Luanda e Kinshasa: Mega-linhas eléctricas unem Angola e RDC

Angola e a República Democrática do Congo deram um passo decisivo para a integração energética regional com a assinatura da concessão de duas grandes linhas de transmissão eléctrica, projectos avaliados como dos mais ambiciosos da África Austral.

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O acordo foi formalizado pelo Ministério dos Recursos Hídricos e Electricidade da RDC, representado pelo ministro Aimé Sakombi Molendo, e pela empresa marroquina Somagec, responsável pelo investimento e execução das infra-estruturas que vão ligar os dois países por via da energia.

O primeiro projecto prevê uma linha de alta tensão de 400 kV entre Soyo e Cabinda, atravessando Matadi e Inga, em território congolês. A infra-estrutura, financiada exclusivamente por capital privado, permitirá reforçar as exportações angolanas de electricidade e, pela primeira vez, integrar Cabinda na rede eléctrica nacional.

A segunda ligação, considerada estratégica para a industrialização regional, parte da central hidroeléctrica de Laúca até Kolwezi, no coração mineiro da RDC, com passagem por Saurimo e Luau. Com mais de 1200 quilómetros, a linha assegurará energia fiável ao centro industrial congolês e impulsionará a electrificação estrutural do leste de Angola.

Segundo os promotores, a chegada desta infra-estrutura a Saurimo abrirá caminho ao desenvolvimento das províncias das Lundas, com investimento privado em energia e menor dependência de financiamento público ou dívida soberana.

Os dois projectos contam com o apoio da Rede Nacional de Transporte de Electricidade e do Ministério da Energia e Águas de Angola, e deverão ter impacto directo na balança de pagamentos, no crescimento do PIB dos dois países, na criação de emprego e na consolidação de novas zonas económicas sustentadas por uma base energética sólida.