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Associação de sucateiros apoia interdição e quer cadastro nacional

A Associação dos Sucateiros Unidos de Angola (ASUA) reconheceu a necessidade de interditar temporariamente a actividade de sucatas, em resposta à escalada de vandalismo de bens públicos, e defendeu a criação urgente de um sistema de cadastro e fiscalização para identificar operadores e rastrear a origem dos materiais comercializados.

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O posicionamento surge na sequência do decreto executivo do Governo que suspendeu e revogou licenças de sucateiras e casas de pesagem de metais ferrosos e não ferrosos, medida destinada a conter práticas ilícitas que têm causado prejuízos avultados ao Estado, sobretudo nos sectores da electricidade, água, saneamento e transportes.

Em declarações à Lusa, o presidente da ASUA, Tounkara Mohamed Saidou, admitiu que a decisão é dura, mas inevitável, face à repetição de actos de vandalismo, sublinhando que a associação pretende alinhar com o Executivo no combate ao fenómeno, apesar do impacto social sobre centenas de operadores, muitos deles jovens que dependem da actividade para sobreviver.

Para evitar abusos futuros, a ASUA propõe cadastrar todos os sucateiros, começando por Luanda, identificar locais de actuação e colocar agentes associativos nas casas de pesagem e fábricas, com a missão de verificar a proveniência dos carregamentos antes da sua aceitação.

Saidou afastou a ideia de que os sucateiros estejam na origem directa do vandalismo, explicando que a maioria trabalha em quintais e contentores, adquirindo material fora de uso, como carcaças de viaturas e latas, que depois segue para unidades de transformação, defendendo que é preciso apurar quem introduz material vandalizado no circuito.

O dirigente alertou ainda para o risco social da interdição prolongada, numa actividade dominada por cidadãos do oeste africano, angolanos e operadores chineses ligados à indústria transformadora, advertindo que a falta de alternativas pode empurrar jovens para a delinquência, se não forem encontradas soluções equilibradas entre repressão, controlo e inclusão económica.