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Banco Mundial quer tornar o Corredor do Lobito “investível” e garante ferramenta digital para seduzir investidores

O Corredor do Lobito prepara-se para dar um salto decisivo rumo à captação de investimento privado, com o apoio directo do Banco Mundial, que vai disponibilizar garantias financeiras e uma ferramenta de monitorização destinada a reduzir riscos e acelerar projectos ao longo do eixo estratégico que liga Angola ao coração mineiro da África Austral.

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A revelação foi feita em Luanda pela directora-geral de Operações do Banco Mundial, Anna Bjerde, à margem da reunião de alto nível sobre o mecanismo de coordenação do corredor, onde a instituição assumiu o compromisso de mobilizar financiamento público e privado para tornar o projecto verdadeiramente “investível”, abrindo caminho a parcerias público-privadas de grande escala.

Entre as decisões centrais do encontro destaca-se a criação de um instrumento digital de acompanhamento, que permitirá controlar, em tempo quase real, o estado dos projectos e financiamentos nos três países envolvidos, bem como identificar atrasos e estrangulamentos. A ferramenta deverá entrar em funcionamento antes da próxima reunião, prevista para o segundo trimestre, em Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Anna Bjerde alertou que a falta de coordenação representa um dos maiores riscos ao sucesso do Corredor do Lobito, sublinhando que iniciativas transfronteiriças desta dimensão exigem um quadro robusto de articulação entre governos e parceiros de desenvolvimento, sob pena de comprometer investimentos e calendários.

No plano operacional, o Banco Mundial defendeu a eliminação de entraves nos postos fronteiriços e nas transacções comerciais, com o objectivo de reduzir drasticamente o tempo de transporte, actualmente entre 25 e 30 dias, para um intervalo de cinco a sete dias, através da harmonização de procedimentos, reforço da formação e melhoria das inspecções.

Para além do escoamento de minerais, a responsável frisou que o corredor deve afirmar-se como um verdadeiro eixo económico, capaz de gerar emprego em sectores como a agricultura, logística, cadeias de frio, serviços digitais, indústria e desenvolvimento urbano, sobretudo para os jovens, advertindo, contudo, para a necessidade de transparência no acesso à terra e de compensações justas às comunidades afectadas.

C/Lusa