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Guiné-Bissau entre fardas e urnas: aliados pedem regresso do Presidente deposto

A cena política guineense voltou a ferver esta sexta-feira, em Bissau, quando aliados de Umaro Sissoco Embaló elogiaram abertamente a intervenção militar e, ao mesmo tempo, exigiram o regresso ao país do Presidente deposto, num gesto que expõe as contradições da actual transição.

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O posicionamento surgiu após um encontro entre João Paulo Semedo, mandatário nacional da candidatura de Sissoco Embaló, e o Presidente da República de Transição, Horta Inta-a, num contexto ainda dominado pela incerteza institucional instalada desde a tomada do poder pelas Forças Armadas, a 26 de Novembro de 2025.

No final da reunião, Semedo destacou o papel dos militares na condução do processo político e defendeu a criação de condições para o retorno de Umaro Sissoco Embaló, afastado do poder na sequência da ruptura constitucional que conduziu à actual governação de transição.

Fontes políticas em Bissau consideram a posição particularmente polémica, por legitimar a acção castrense enquanto reclama o regresso de um chefe de Estado deposto pelo mesmo processo, num discurso que, segundo analistas locais, revela uma tentativa clara de alinhamento com os centros reais de poder.

O apelo foi reforçado por figuras próximas da candidatura de Sissoco Embaló, entre as quais os antigos primeiros-ministros Braima Camara e Nuno Gomes Nabian, num sinal de coesão interna que contrasta com as dúvidas persistentes sobre a credibilidade, a neutralidade e o rumo do processo político em curso.

Apesar das declarações públicas, não foram avançados prazos, garantias de segurança ou fundamentos legais para viabilizar o eventual regresso do ex-Presidente, enquanto sectores da sociedade civil alertam para o risco de a transição se transformar num rearranjo político que perpetua a influência militar e prolonga a instabilidade crónica no país.