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Corredor do Lobito estreia-se na exportação internacional de cobre e cobalto da RDC

O Corredor do Lobito prepara-se para marcar um momento histórico ao assegurar, pela primeira vez, a chegada de cobre e cobalto da República Democrática do Congo aos mercados internacionais, numa operação que reforça o papel estratégico de Angola nas cadeias globais de minerais críticos.

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O avanço resulta de um acordo entre a Entreprise Générale du Cobalt (EGC) e a Trafigura, que viabiliza a primeira expedição destes minerais através da Lobito Atlantic Railway (LAR), consórcio responsável pela gestão do corredor ferroviário, considerado hoje a rota mais rápida e eficiente para escoar a produção da Copperbelt congolesa.

Para o administrador executivo da EGC, Eric Kalala, a operação comprova que é possível garantir um fornecimento ético, transparente e totalmente rastreável de cobre e cobalto provenientes da produção artesanal em larga escala, sublinhando que o carregamento inaugural, com destino aos Estados Unidos, simboliza a consolidação da parceria estratégica entre Washington e Kinshasa.

Já o director de Metais e Minerais para África da Trafigura, Franck Rogozin, destacou que a iniciativa demonstra a força de alianças sólidas entre produtores e operadores comerciais, essenciais para reforçar a resiliência das cadeias globais de abastecimento de minerais indispensáveis à transição energética e à industrialização.

Por sua vez, o administrador executivo da Lobito Atlantic Railway, Nicholas Fournier, afirmou que a infra-estrutura posiciona Angola e a RDC como actores centrais no fornecimento mundial de minerais estratégicos, beneficiando de uma linha ferroviária com cerca de 1300 quilómetros até ao porto do Lobito e ligação directa ao coração do Cinturão de Cobre, reduzindo em cerca de sete dias o tempo de transporte face a rotas alternativas.

Detida pela Trafigura, Mota-Engil e Vecturis, a LAR conta com um financiamento de 753 milhões de dólares assegurado junto da DFC e do DBSA para a reabilitação e expansão da linha, num contexto em que a Trafigura mantém a responsabilidade pela comercialização do cobalto adquirido pela EGC a produtores artesanais congoleses.