Navios do BRICS+ cruzam mares da África do Sul e desafiam influência dos EUA
Navios de China, Rússia e Irão iniciaram esta sexta-feira, ao lado da África do Sul, um exercício naval de grande envergadura que envolve países do BRICS+, numa manobra militar que reacende as tensões geopolíticas com os Estados Unidos.

Registro autoral da fotografia
A operação, designada “Vontade de Paz 2026”, decorre até 16 de Janeiro e é liderada pela China, com o objectivo declarado de reforçar a segurança do transporte marítimo e aprofundar a cooperação militar entre os membros do bloco, segundo informações do Exército sul-africano.
A frota inclui meios navais chineses, russos e iranianos, com destaque para o contratorpedeiro chinês Tangshan, de 161 metros, estando ainda prevista a participação dos Emirados Árabes Unidos, enquanto Brasil, Indonésia e Etiópia acompanham os exercícios como observadores.
Perante a leitura internacional do momento, o Ministério da Defesa da África do Sul apressou-se a afastar qualquer ligação entre o exercício e a situação na Venezuela, negando relação com as recentes apreensões de navios atribuídas a Washington antes da destituição de Nicolás Maduro.
A iniciativa estava planeada desde 2025, mas acabou adiada devido à realização da cimeira do G20, em Joanesburgo, no mesmo período, segundo explicações oficiais das autoridades sul-africanas.
Analistas alertam que a operação poderá agravar ainda mais as relações entre Pretória e Washington, sobretudo após declarações do Presidente Donald Trump, que acusou a África do Sul de apoiar “maus actores globais”, sendo a aproximação ao Irão apontada como um dos motivos para o corte de financiamento norte-americano ao país.
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