O epicentro da prostituição no Zango
Sobretudo aos fins-de-semana, a diversão nocturna tem endereço conhecido no Zango: as ruas da Dira, da Sagres e da Ferrari. Homens e mulheres provenientes dos vários cantos aportam por lá à procura de emoções fortes, em ambientes regados a álcool, com a tentação do sexo fácil, perigoso e mesmo criminoso com menores

Registro autoral da fotografia
É uma sexta-feira. De um lado roulottes, com bebidas alcoólicas, cigarros e mulheres com trajes curtos e informais. Do outro, carros mal estacionados, causando congestionamento na via.O ambiente de festa começa a partir das 18 horas. Homens e mulheres de várias idades começam a chegar. Alguns acompanhados, outros nem tanto, pois, disseram, preferem encontrar os parceiros e parceiras no local.
A rua da Dira tornou-se no maior centro de convívio do Zango, considerada, por muitos, paragem obrigatória quando o assunto é diversão.
Piloto, queprefere ser tratado desta forma por fazer o serviço de moto táxi, disse ao Jornal de Angola que “a rua da Dira é o Paraíso”. De sexta-feira a domingo, prosseguiu, a zona recebe homens e mulheres provenientes de quase todos os cantos da cidade capital, incluindo alguns que saem do interior do país para conhecer o local. Uns vão de viatura própria, outros de táxi ou mototáxi.
No local, as casas de lazer estão perfiladas nos dois lados da rua. O Bar da Yulima é um dos expoentes máximos em termos de lazer, pois dispõe de um vasto espaço de diversão. Ainda assim, muitos preferem conviver no passeio.
“Novinhas” e “jardadas”
A prostituição na rua da Dira é praticada por cidadãos de ambos os sexos, nacionais e estrangeiros. Os preços são ditados consoante o bolso de cada um e o período do dia. Normalmente, começam dos três mil kwanzas, podendo baixar até mil kwanzas.
O Jornal de Angola apurou que as “novinhas” e as “jardadas” são as mais procuradas pelos “papoites” ao longo da noite e, sobretudo, à madrugada, depois da adrenalina subir. Ao cliente é exigido custear o aposento e as bebidas, em alguns casos. Os preços das hospedarias variam de 1.500 a seis mil kwanzas para três horas. Já a noite inteira ronda entre seis mil e 15 mil kwanzas, incluindo o pequeno-almoço.
O ambiente da rua em referência contagia os jovens, principalmente os que vivem nas proximidades, que já sabem como fabricar um bom cocktail, uma boa caipirinha para consumir com amigos.
Segundo o Piloto, os motoqueiros que fazem serviço de táxi são também causadores de actos de prostituição. “Algumas vezes as moças não têm como pagar a corrida de táxi, são obrigadas a pagarem com sexo” contou, acrescentando que isso ocorre “sobretudo com passageiras embriagadas”.
Ninguém fica sozinho
Conforme dizem os frequentadores, “na Dira ninguém fica sozinho”. Há sempre uma companhia que, a qualquer momento, mesmo não sendo convidada, pode fazer-se à mesa para conversar, beber um copo ou pedir um cigarro.
Ainda assim, alertam que “todo o cuidado é pouco”. Todavia, asseguram, para além das moças jeitosas, corpos de vários tamanhos, algumas são menores de idade disfarçadas em roupas curtas e decotes apertados.
Dizem os frequentadores da zona que grande parte das mulheres que desfilam vêm das zonas circunvizinhas como Ilha Seca, Luanda Limpa, Bairro Santa, Parte Braço, todos do Distrito Urbano do Zango.
Como constatou o Jornal de Angola, grande parte delas recorre à prostituição por causa das dificuldades sociais que as famílias enfrentam, sobretudo no actual contexto económico, em que muitos chefes de família perderam o poder de compra.
Bebidas e refeições
As cervejas, em algumas barracas, chegam a custar mil kwanzas cada quatro unidades. Os bares e “roulottes” estão ao longo da berma os cabrités na brasa são postos à mostra, como aperitivo principal no perímetro.
Na Dira, as iguarias variam:pinchos, carne, peixe, sopas e outros pratos ao gosto do cliente. O “kingol” ou mabangas (amêijoas) são comercializadas a 500 kwanzas cada três unidades. Normalmente passa por brasa branda até cozer. O produto é acompanhado com um molho azedo feito de água, azeite, vinagre e limão, recomendado para quem consome bebidas alcoólicas ao longo do convívio. A tradição do local orienta que o molho seja consumido usando as conchas do próprio “kingol”.
Placa das princesas
“Placa das Princesas” é uma pequena casa transformada em local de lazer para acolher, preferencialmente, menores aliciadas para este tipo de ambiente. No interior e no exterior do local, as menores fumam e bebem de tudo um pouco, desde bebidas alcoólicas a refrigerantes.
Ruas da Sagres e da Ferrari
As ruas da Sagres e da Ferrari são apontadas como alternativas à rua da Dira. Semelhantes à Dira, lá também quase tudo acontece. É um ambiente informal, onde há sexo explícito, feito em viaturas com vidros fumados, em roulottes e até mesmo nas barracas onde são comercializadas as refeições.
Uma moradora contou ao Jornal de Angola que o negócio do sexo naquela zona, antes, era apenas praticado por mulheres provenientes de outros pontos.
“Aqui na rua da Sagres, antes, só víamos à noite, agora até mesmo de dia, basta você ver a dona a fechar a roulotte, mas ela está lá dentro, assim já tem homem, se você encostar lá vais ouvir os gritos”, contou.
Hoje, a prostituição no Zango é praticada até por mulheres com boa aparência, muitas delas mães, que abandonam os maridos para exercer a actividade sexual, em troca de dinheiro.
“Basta um homem chegar numa destas barracas, sentar-se e comprar uma cerveja, já vai aparecer uma moça, a moça vai lhe pedir cerveja, ele paga, depois mais uma, mais uma, quando ela ficar bêbada o moço lhe leva”, contou a moradora.
Na rua da Sagres, várias residências foram transformadas em esplanadas onde a música é tocada alta quase todos os dias, sob o olhar silencioso da Polícia, que, segundo os moradores, nada tem feito para dar fim à poluição sonora que tira o sono aos moradores.
O cenário não é diferente na rua da Ferrari, frequentada por pessoas de quase todas as idades em busca de diversão.
Uma mulher que disse ter completado 18 anos em Maio do ano passado, contou que entrou para a prostituição “para experimentar, devido às dificuldades da vida e por influência de amigas”. Referiu que não se vê a fazer outra coisa, pela facilidade de obter dinheiro para sustentar os filhos e o marido que, contou, é seu primo.
A jovem contou ainda que ela é a provedora do lar e que não recebe ajuda dos familiares, por não aprovarem o relacionamento marital que mantém com o primo. Este sofreu um acidente rodoviário e está paraplégico.
“Tenho dois filhos e a minha família não ajuda em nada, pelo facto do meu marido ser meu primo. Não tenho opções. Essa é a forma que encontrei para sobreviver”, concluiu com o semblante triste.
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