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Primeiro-ministro da Hungria exige saída do Presidente até à meia-noite

A tensão política na Hungria entrou numa nova fase de confronto aberto. O primeiro-ministro, Péter Magyar, lançou um ultimato ao Presidente da República, Tamás Sulyok, exigindo a sua demissão até à meia-noite deste domingo, sob pena de avançar para uma acção política sem precedentes já na segunda-feira.

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Através de declarações divulgadas nas redes sociais e amplamente repercutidas pela imprensa internacional, o chefe do Governo acusou o Presidente de manter ligações ao sistema político associado ao antigo primeiro-ministro Viktor Orbán, considerando-o um obstáculo ao processo de mudança iniciado após as recentes eleições legislativas. Péter Magyar advertiu ainda que poderá deslocar-se ao Palácio Presidencial caso o prazo não seja respeitado.

O braço-de-ferro surge poucas semanas depois da expressiva vitória eleitoral do partido Tisza, que pôs fim a 16 anos de domínio político ligado a Viktor Orbán e abriu caminho a uma profunda reconfiguração das instituições do Estado. O novo Executivo pretende acelerar reformas consideradas estruturais, numa das mais significativas mudanças políticas das últimas décadas no país.

Perante o agravamento da crise, Tamás Sulyok solicitou uma avaliação jurídica à Comissão de Veneza, órgão consultivo do Conselho da Europa especializado em matérias constitucionais. A iniciativa é vista por vários observadores como uma tentativa de procurar respaldo institucional num momento particularmente delicado para a democracia húngara.

Entretanto, o Governo admite avançar com alterações constitucionais de grande alcance, incluindo a possibilidade de introduzir eleições presidenciais directas. A concretizar-se, a medida poderá transformar profundamente o actual modelo político da Hungria e redefinir o equilíbrio de poderes no país.