Professores endurecem posição e marcam greve nacional para Janeiro
Os professores angolanos prometem cruzar os braços a partir de 15 de Janeiro de 2026, numa greve faseada que ameaça abalar o arranque do próximo ano lectivo. A decisão foi anunciada pelo Sindicato Nacional dos Professores (Sinprof), que acusa o Governo de ignorar reivindicações antigas e de manter uma dotação orçamental “vergonhosa” para a Educação.

Registro autoral da fotografia
Segundo a presidente do Sinprof, Hermínia do Nascimento, a paralisação foi deliberada em Outubro, no Huambo, e avançará por fases caso não haja respostas concretas do Executivo. Após assembleias municipais já realizadas, o sindicato prevê encontros provinciais em simultâneo durante o mês de Janeiro, num sinal claro de endurecimento da posição da classe docente.
A líder sindical revelou que o caderno reivindicativo foi entregue ao Ministério da Educação em Julho, mas o diálogo estagnou após dois encontros inconclusivos. Entre as principais exigências constam melhores condições de trabalho, reajuste salarial face a carreiras equivalentes, pagamento de subsídios em atraso, orçamento próprio para as escolas e distribuição atempada de manuais ao ensino primário.
O Sinprof reclama ainda o cumprimento de acordos anteriores, incluindo a realização de concursos internos para o nivelamento de carreiras, o pagamento do subsídio de férias em folha separada, do décimo terceiro salário numa única parcela e do prémio de exame para cargos de direcção e chefia.
A indignação do sindicato ganhou novo fôlego com a aprovação do OGE 2026, que reserva apenas 6,8 por cento para a Educação. Hermínia do Nascimento considera o valor um desrespeito aos compromissos internacionais e denuncia gastos em áreas não prioritárias, num país onde persistem crianças fora do sistema de ensino e escolas sem condições básicas.
Um estudo apresentado num fórum sobre financiamento da educação reforça o alerta: a maioria das escolas públicas não dispõe de água corrente, bibliotecas ou laboratórios funcionais, enquanto o défice de salas de aula ultrapassa as 152 mil. Para o Sinprof, sem um investimento robusto, pelo menos 20 por cento do OGE, o sistema educativo continuará à beira do colapso.
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