Unitel vai à Bolsa em 2026: Governo confirma data e acelera privatizações milionárias
A gigante das telecomunicações prepara-se para abrir o capital no primeiro trimestre de 2026, num dos momentos mais aguardados do Programa de Privatizações do Executivo angolan

Registro autoral da fotografia
O Governo angolano confirmou que a Unitel, maior operadora de telecomunicações do país, entrará em Bolsa no início de 2026, marcando um dos passos mais significativos do Programa de Privatizações (ProPriv). A operação, que envolve a venda de 15% do capital da empresa através de uma Oferta Pública Inicial (OPI) na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), deverá estar concluída no primeiro trimestre do próximo ano.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, à margem das Reuniões Anuais do Banco Mundial e do FMI, em Washington. “O processo está em curso e será certamente fechado no primeiro trimestre de 2026”, garantiu o governante, sublinhando que os activos do Estado estão a ser preparados para alienação.
A entrada da Unitel em Bolsa sucede à operação concretizada com o Banco de Fomento Angola (BFA) e representa mais um passo na estratégia de redução da presença estatal em sectores estratégicos. O objectivo, frisou Ottoniel dos Santos, é fortalecer o papel do sector privado como motor da economia nacional.
Segundo o despacho presidencial de 23 de Agosto de 2024, a alienação parcial da Unitel integra a lista de empresas a privatizar no quadro do ProPriv 2019-2022, que previa a venda de 195 activos e empresas públicas, entre os quais se contam a Sonangol e a Endiama.
O secretário de Estado assegurou que o FMI e o Banco Mundial têm mostrado apoio e confiança no processo de privatizações em curso, considerando-o essencial para diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo.
“O sector privado deve ser o verdadeiro campeão da economia angolana”, afirmou, acrescentando que esta dinâmica permitirá absorver melhor choques externos e sustentar o crescimento do PIB não petrolífero.
Questionado sobre as avaliações do FMI, Ottoniel dos Santos reconheceu que os riscos de liquidez permanecem, mas considerou que a recente emissão de Eurobonds, no valor de 1,75 mil milhões de dólares, demonstrou a confiança dos investidores internacionais na economia angolana e na sua capacidade de honrar compromissos.
O governante defendeu ainda a diversificação das fontes de financiamento, explorando mercados do Médio Oriente e da Ásia, e o recurso a instrumentos inovadores, como o “debt-for-development swap”, promovido pelo Banco Mundial, que converte parte da dívida em investimentos sociais, nomeadamente na educação.
Atualmente, a dívida pública angolana representa cerca de 55% do PIB, abaixo do limite prudencial de 60%, um sinal que, segundo Ottoniel dos Santos, confirma o “caminho de consolidação e sustentabilidade” traçado pelo Executivo.
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