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Angola assume comando do diálogo de paz e entra no centro do conflito na RDC

Angola foi chamada a assumir um papel decisivo na busca da paz na República Democrática do Congo (RDC), ao receber mandato para liderar consultas com vista ao arranque do diálogo intercongolês, numa altura em que o conflito ameaça nova escalada regional.

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A decisão resulta de um encontro realizado esta segunda-feira, em Luanda, que reuniu o Presidente da República e líder em exercício da União Africana, João Lourenço, o homólogo congolês, Félix Tshisekedi, o Presidente do Conselho da República do Togo e mediador da União Africana, bem como o antigo Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, em representação dos cinco facilitadores africanos do processo de paz.

No final da reunião, os participantes apelaram às partes em conflito para declararem um cessar-fogo, com data e hora a definir, e instaram à aplicação célere dos mecanismos de verificação acordados em Doha, a 14 de Outubro de 2025, considerados essenciais para travar a violência no leste congolês.

O comunicado refere ainda que Angola recebeu luz verde para iniciar contactos com todas as forças políticas e sociais da RDC, com o objectivo de criar condições para um diálogo inclusivo, em consonância com o Acordo de Washington, de 4 de Dezembro de 2025, e com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que exigem a retirada das tropas ruandesas e a neutralização das Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda (FDLR).

João Lourenço, que já desempenhara funções de mediador no diferendo entre a RDC e o Ruanda antes de assumir a presidência da União Africana, tem intensificado a ofensiva diplomática de Angola para pôr fim à instabilidade no Kivu do Norte, onde a retoma das acções do M23, desde 2021, mantém o país vizinho sob forte tensão e reacende receios de um conflito de dimensão regional.

Nos últimos meses, Luanda voltou a ganhar protagonismo neste dossiê sensível, reposicionando-se como actor central da mediação africana, numa altura em que a paz no leste da RDC surge como um teste crucial à credibilidade dos esforços diplomáticos do continente.