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Angola e RDC: bancos dão primeiro passo para desbloquear milhões parados na fronteira

Instituições bancárias angolanas já iniciaram contactos directos com o banco central da República Democrática do Congo (RDC) para obter licenças de operação, num movimento que pode redefinir o mapa financeiro entre os dois países e acelerar o comércio bilateral.

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O anúncio foi feito esta quarta-feira, em Kinshasa, pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, à margem do 3.º Fórum Económico RDC–Angola. O governante sublinhou que o processo visa desbloquear fluxos financeiros, estimular o investimento e reduzir entraves históricos nas trocas comerciais, ainda consideradas muito aquém do potencial existente.

Apesar de partilharem uma fronteira com cerca de 2.500 quilómetros e um mercado conjunto avaliado em 170 milhões de dólares, o comércio formal entre Angola e a RDC não ultrapassa os 600 milhões de dólares anuais, o equivalente a apenas 0,3% do PIB combinado. Um contraste gritante face à intensa actividade informal que domina as zonas fronteiriças.

Para inverter este cenário, Massano destacou a entrada em funcionamento do Posto Fronteiriço do Luvo, apontado como peça-chave na formalização das transacções, bem como os avanços no Corredor do Lobito, que promete reforçar a ligação logística entre Angola, RDC e Zâmbia. O Executivo admite replicar infra-estruturas semelhantes noutros pontos estratégicos da fronteira.

O ministro enfatizou ainda as reformas económicas em curso em Angola, desde privatizações à melhoria do ambiente de negócios, garantindo que o país oferece hoje condições mais atractivas para investidores. Ainda assim, deixou um aviso claro: o verdadeiro salto dependerá da capacidade dos empresários de transformar oportunidades em projectos concretos e sustentáveis.