Angola entre os mais fortes na saúde mental jovem, revela estudo global
Angola figura entre as nações com melhor desempenho na saúde mental jovem e afirma-se como um dos países mais espirituais do planeta, segundo o relatório internacional Global Mind Health 2025, divulgado esta quinta-feira.

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O estudo, conduzido pela organização Sapien Labs e considerado o maior levantamento contínuo sobre saúde mental da população ligada à Internet, avaliou mais de 2,5 milhões de pessoas em 85 países. No ranking global do Quociente de Saúde Mental (MHQ), que mede a capacidade de enfrentar desafios e manter funcionamento produtivo em 47 dimensões cognitivas, emocionais, sociais e físicas, Angola ocupa a 25.ª posição entre 84 países analisados. Entre os lusófonos, Moçambique destaca-se com o 12.º lugar, enquanto Portugal surge na 46.ª posição e o Brasil cai para um preocupante 79.º lugar.
O relatório conclui que os países da África subsaariana dominam as classificações mais favoráveis, superando várias economias desenvolvidas como Reino Unido, Japão e Alemanha. No caso angolano, um dos factores mais marcantes é a espiritualidade dos jovens: Angola alcança o 7.º lugar entre 69 países neste indicador, com Moçambique logo atrás, na 9.ª posição. O documento sublinha que 14 dos países mais espirituais do mundo situam-se em África, fenómeno que ajuda a explicar os resultados robustos no continente.
Contudo, o retrato não é isento de contrastes. Apesar da elevada espiritualidade, Angola e Moçambique apresentam níveis baixos de proximidade familiar entre os jovens, ocupando respectivamente as posições 71.ª e 78.ª. O estudo alerta que relações familiares frágeis quadruplicam o risco de problemas de saúde mental, evidenciando uma tensão entre factores culturais que influenciam o equilíbrio psicológico.
Outro dado decisivo prende-se com o acesso à tecnologia. Jovens africanos, incluindo angolanos e moçambicanos, receberam o primeiro ‘smartphone’ mais tarde do que os europeus, o que, segundo o relatório, reduz a probabilidade de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas na idade adulta. Em paralelo, o consumo reduzido de alimentos ultraprocessados onde Angola e Moçambique ocupam as posições 62.ª e 73.ª contrasta com Portugal e Brasil, colocados entre os países com maior ingestão destes produtos.
A nível global, o alerta é claro: quase metade dos adultos com menos de 35 anos enfrenta desafios significativos de saúde mental, um valor quatro vezes superior ao registado na população com mais de 55 anos. Num cenário internacional marcado por sinais de crise, os dados colocam Angola entre os exemplos africanos que desafiam a tendência negativa e revelam um perfil singular no equilíbrio entre espiritualidade, cultura e saúde mental.
C/Lusa
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