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CNJ à beira do caos: Assembleia gera guerra aberta entre dirigentes

A poucas horas da 8.ª Assembleia Geral de Renovação de Mandato do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), marcada para esta sexta-feira, em Luanda, o ambiente dentro da maior plataforma juvenil do país aqueceu de forma explosiva. Antigos e actuais dirigentes trocam acusações públicas e colocam em causa a legalidade, legitimidade e até a autoridade da actual liderança.

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O antigo membro da direcção do CNJ, Victorino Matias, garantiu que a assembleia vai realizar-se “haja chuva ou faça sol”, defendendo que o processo não depende da autorização da direcção liderada por Isaías Kalunga. Segundo afirmou, vários dirigentes perderam legitimidade para permanecer nos cargos após deixarem de representar as organizações que os indicaram ao órgão. Victorino Matias sustenta que Isaías Kalunga foi suspenso pela União Angola, enquanto Maurício Jaca terá perdido respaldo das organizações AAJDA e ADJ.

O também presidente da Associação de Jovens Operários e Camponeses de Angola assegurou que todo o processo está a ser conduzido pela Comissão Organizadora Preparatória, em conformidade com os estatutos do CNJ. Acrescentou ainda que, no modelo da organização, quem concorre são as associações e não figuras individuais, apontando a APAREM como a única organização candidata à presidência do conselho.

Do outro lado da barricada, o vice-presidente do CNJ, Maurício Jaca, rejeitou em absoluto a iniciativa, acusando os promotores de actuarem “à margem dos estatutos”. O dirigente afirmou que apenas a mesa da Assembleia tem competência para convocar o encontro e lembrou que o Comité de Representantes Permanente já aprovou a realização da Assembleia Geral para Novembro de 2026, num processo que deverá arrancar nas bases comunais, municipais e provinciais.

A tensão agravou-se depois de Maurício Jaca acusar os organizadores da assembleia paralela de utilizarem símbolos e documentos oficiais do CNJ sem autorização, admitindo mesmo avançar com acções civis e criminais contra os envolvidos. O confronto expõe uma fractura profunda no seio da organização juvenil, numa disputa que ameaça transformar a renovação de mandato num dos episódios mais turbulentos da história recente do CNJ.