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Dependência do petróleo continua a dominar exportações angolanas

A recuperação do preço do petróleo deu novo fôlego à economia angolana e empurrou a balança comercial para um saldo positivo de 3,9 biliões de kwanzas no primeiro trimestre de 2026, numa subida homóloga de 11,68 por cento, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.

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Depois de um arranque de ano marcado por forte pressão nas exportações, Janeiro revelou-se o mês mais delicado, com o saldo comercial a cair mais de 61 por cento face ao mesmo período de 2025, fixando-se em 435,33 mil milhões de kwanzas. O abrandamento ficou ligado à descida do preço do petróleo bruto, principal fonte de receitas externas do país. Contudo, Fevereiro trouxe sinais de recuperação e Março acabou por transformar o cenário económico, com o saldo da balança comercial a disparar para 2,46 biliões de kwanzas.

De acordo com o relatório, o salto registado em Março resultou da subida do preço médio do crude nos mercados internacionais e da redução das importações. O petróleo consolidou ainda mais o seu domínio nas exportações nacionais, chegando a representar 95,58 por cento de tudo o que Angola vendeu ao exterior naquele mês, um dado que volta a expor a forte dependência da economia angolana em relação ao ouro negro.

A Ásia manteve-se como o grande destino das exportações nacionais. A China liderou a lista dos principais compradores do petróleo angolano ao longo de todo o trimestre, seguida da Índia. Juntos, os dois gigantes asiáticos absorveram entre 63 e 74 por cento das exportações de Angola. No sentido inverso, a China também reforçou a posição como principal fornecedor do mercado angolano, enquanto Portugal permaneceu entre os três maiores parceiros comerciais do país.

Os números do comércio externo mostram ainda que combustíveis refinados, máquinas industriais, veículos e produtos alimentares continuam entre os principais bens importados por Angola. Apesar do saldo positivo, os dados reforçam os alertas sobre a excessiva dependência do petróleo, num momento em que qualquer oscilação no mercado internacional continua capaz de abalar as contas nacionais.

C/Lusa