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EUA e UE reforçam aposta no Corredor do Lobito e afastam rumores de abandono

O Corredor do Lobito continua a ser uma prioridade estratégica para os Estados Unidos da América (EUA) e a União Europeia (UE), que reafirmaram o seu compromisso com a infraestrutura ferroviária angolana, afastando especulações sobre um eventual desinteresse no projecto.

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Há 20 horas
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O embaixador James Story, encarregado de negócios dos EUA em Angola, garantiu que o Corredor do Lobito representa uma aliança sólida entre o sector público e privado, viabilizada por fontes de financiamento internacionais. O diplomata destacou ainda que os EUA não estão a recuar nos investimentos e que a parceria com Angola permanece firme.

A aposta dos EUA e da UE neste projecto reflecte-se nos quase mil milhões de dólares investidos através do consórcio Lobito Atlantic Railway, que integra a portuguesa Mota-Engil, a suíça Trafigura e a belga Vecturis. O financiamento conta com apoios da Development Finance Corporation (DFC) dos EUA e do Development Bank of Southern Africa.

Por seu lado, a União Europeia inscreveu o Corredor do Lobito na iniciativa Global Gateway, garantindo um pacote de 600 milhões de euros através da Partnership for Global Infrastructure and Investment (PGII), no âmbito do G7.

Nos últimos dias, a embaixada norte-americana organizou uma ofensiva diplomática, reunindo 17 embaixadores europeus e de outras nacionalidades numa visita ao Corredor, para demonstrar o potencial estratégico da infraestrutura.

Desmentido sobre abandono de projectos

Questionado sobre a suspensão de alguns projectos da agência norte-americana USAID, nomeadamente os que envolviam apoio a mulheres agricultoras, James Story garantiu que o compromisso dos EUA mantém-se inalterado.

“Temos ouvido dizer que estamos a afastar-nos deste projecto, o que não é verdade. Estamos aqui a demonstrar que temos um compromisso com estes projectos e que vamos continuar a trabalhar com os nossos parceiros”, afirmou o diplomata, reforçando que o presidente Trump quer negócios e investimentos sustentáveis em Angola.

A visita da delegação diplomática ocorre também como uma antecipação da Cimeira de Negócios EUA-África, que decorrerá em Luanda entre os dias 22 e 25 de Junho, reunindo 2.000 empresários e líderes políticos.

Europa e EUA alinhados no projecto

A embaixadora da UE em Angola, Rosário Bento Pais, também afastou qualquer risco de abandono do Corredor do Lobito.

“O Corredor do Lobito é para ficar. Interessa aos europeus, mas também aos EUA. Estamos juntos”, declarou a diplomata, reforçando que os EUA já estão a beneficiar da exportação de minerais transportados pelo Corredor, enquanto a União Europeia ainda aguarda a sua parte no processo.

Já o embaixador português Francisco Alegre Duarte sublinhou o papel das empresas portuguesas no projecto, realçando a importância de Angola tratar com um “carinho especial” os investidores portugueses, que já operam no país há vários anos.

Com os EUA e a UE alinhados no apoio ao Corredor do Lobito, esta infraestrutura ferroviária assume-se como um eixo estratégico de desenvolvimento para Angola e para a região, consolidando-se como um dos maiores projectos logísticos do continente africano.

C/Lusa