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Fim da importação? Angola vai fabricar mosquiteiros pela primeira vez

Angola prepara-se para dar um passo histórico no combate à malária com o arranque, ainda este ano, da primeira fábrica nacional de mosquiteiros, numa aposta do Executivo para reduzir a dependência externa e travar uma das doenças mais mortais do país.

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Há 8 horas
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O anúncio foi feito pela ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante o Encontro Ministerial sobre a Malária, realizado em Genebra à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde. Segundo a governante, o projecto contará com apoio técnico do África CDC para assegurar a transferência de tecnologia destinada à produção local de redes mosquiteiras de nova geração, equipadas com dupla acção insecticida.

Perante um cenário considerado alarmante no continente africano, Sílvia Lutucuta alertou que África enfrenta uma “tempestade perfeita” no combate à malária, marcada pela redução do financiamento internacional, resistência aos medicamentos, alterações climáticas e fragilidade dos sistemas de saúde. A ministra defendeu uma mobilização urgente para evitar retrocessos numa luta que continua a custar milhares de vidas todos os anos.

Além do impacto sanitário, o Executivo acredita que a nova unidade industrial poderá impulsionar a indústria têxtil nacional e reforçar a autonomia do país no sector da saúde. Actualmente, África importa cerca de 70 por cento dos medicamentos, 90 por cento dos dispositivos médicos e praticamente todas as vacinas utilizadas no continente, realidade que Luanda pretende inverter de forma gradual.

A malária continua a ser a principal causa de mortes e internamentos hospitalares em Angola. Ainda assim, parceiros internacionais reconheceram avanços significativos em África nas últimas duas décadas, com mais de um milhão de mortes evitadas graças ao aumento do acesso ao diagnóstico, tratamento e utilização de mosquiteiros tratados.