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“Nem uma esteira é garantida”: desalojados em Benguela lutam para sobreviver num bairro de tendas

Milhares de vítimas das cheias em Benguela vivem dias de desespero no Antigo Campismo, transformado num aglomerado de tendas improvisadas, onde dormir, comer ou simplesmente ter abrigo se tornou uma batalha diária.

Registro autoral da fotografia

Há 5 horas
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Após o transbordo do rio Cavaco, que destruiu bairros inteiros, cerca de 8000 pessoas ficaram desalojadas. Muitas perderam tudo e sobrevivem apenas com a roupa que vestiam. Entre relatos de caos e sofrimento, há quem diga que até conseguir uma simples esteira “é uma luta”, num espaço marcado pela escassez e pela desorganização.

Histórias dramáticas multiplicam-se no terreno. Há famílias separadas, bens desaparecidos e até recém-nascidos sem condições mínimas. Alguns desalojados denunciam roubos dentro do próprio campo e queixam-se de que a ajuda não chega a todos, enquanto outros relatam a perda de vizinhos arrastados pelas águas e corpos ainda por remover em zonas afectadas.

A situação sanitária agrava o cenário. A falta de casas de banho suficientes, o lixo acumulado e a ausência de condições de higiene levantam o espectro de doenças, incluindo a cólera. Equipas médicas e voluntários prestam assistência, mas admitem dificuldades face ao número crescente de pessoas com queixas físicas e sinais de ansiedade.

No meio da crise, organizações religiosas, escuteiros e estudantes tentam colmatar falhas com distribuição de alimentos e apoio psicológico. Ainda assim, os apelos multiplicam-se: as vítimas pedem abrigo digno, água, higiene e uma resposta mais eficaz para uma tragédia que deixou Benguela à beira do colapso humanitário.