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Produção pecuária com crescimento acima dos 140 por cento nos últimos cinco anos

No fim da reunião desta Terça-feira da Comissão Económica do Conselho de Ministros, o director Nacional para a Economia e Fomento Empresarial, Alan Varela, apresentou dados sobre a produção pecuária, que registou um crescimento acima dos 140 por cento entre 2019 e o ano passado.

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“A produção pecuária registou um crescimento de 143 por cento entre 2019 e 2024 e provocou um maior impacto ao Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI)”, refere o Governo, em comunicado.

Segundo Alan Varela, a produção agro-industrial também teve um crescimento significativo, “com destaque para o açúcar e o óleo alimentar, que aumentaram 16 por cento e 171 por cento, respectivamente”.

No período em referência, o responsável adiantou que “as principais fileiras produtivas registaram um crescimento de 33 por cento, com destaque para os cereais, onde a produção de arroz passou de 10.000 toneladas, em 2019, para 48.000 toneladas, em 2024, enquanto a de trigo aumentou de 4000 para 37.000 toneladas, reflectindo o compromisso do Executivo em transformar o actual paradigma”.

“As fileiras de raízes e tubérculos registaram o maior crescimento, com um aumento de 51 por cento, seguidas das frutas, com 24,6 por cento, e dos cereais, com 12,9 por cento”, lê-se na nota, que destaca igualmente o crescimento expressivo registado no sector das bebidas, que passou de 18 milhões de hectolitros em 2019, para 32 milhões de hectolitros, no ano passado.

Entre outros aspectos, informou ainda que, no campo do financiamento, foram aprovados um total de 6301 projectos, “com um desembolso global de 1,5 biliões de kwanzas”.

“É importante dar nota que o Aviso n.º 10 foi, de facto, o produto financeiro que, à volta de 85 por cento, cobriu o financiamento global em 1,2 biliões de kwanzas”, acrescentou.

Também indicou que o Fundo de Garantia de Crédito “emitiu garantias para 4274 projectos, com um total de 486,8 mil milhões de kwanzas, facilitando a criação de 104.402 empregos formais”.

Quanto ao futuro, o PRODESI tenciona manter o foco no “desenvolvimento do agro-negócio, na produção de ração animal, na indústria pesqueira, na produção de algodão e na transformação de produtos florestais”.

A reunião, entre outros aspectos, serviu para apreciar o Relatório de Balanço do PRODESI referente a 2024 e as perspectivas para 2025.

Governo prevê crescimento de 3,6 por cento da economia e inflação de 18,4 por cento para este ano

O Executivo prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça mais de três por cento este ano, bem como estima que a taxa de inflação se fixe um pouco acima dos 18 por cento. As previsões constam na Programação Macro-Económica Executiva para o Ano 2025 (PME 2025), cujo documento também foi analisado na reunião da Comissão Económica do Conselho de Ministros.

A PME 2025, segundo um comunicado do Governo, “estima um crescimento do Produto Interno Bruto de 3,61 por cento e uma taxa de inflação esperada de 18,4 por cento, no final do período”.

Este documento tem em vista garantir e “propor medidas que promovam uma articulação e compatibilização entre os objectivos de política económica e social e as medidas de gestão macro-económica, assim como avaliar o desempenho das variáveis macro-económicas, em 2024, e antecipar o desempenho nacional em 2025, nos sectores real, fiscal e externo”.

Desse modo, “a perspectiva é a consolidação da trajectória de crescimento, esperando-se que o PIB cresça em torno de 3,61 por cento, motivado pelo crescimento do sector não petrolífero na ordem dos 5,76, não obstante se antever uma contracção de 1,82 pontos percentuais do sector petrolífero, incluindo o gás”, lê-se no comunicado.

O documento referencia que, “apesar dos níveis de preços considerados elevados, a inflação mensal tem apresentado uma tendência de desaceleração do seu ritmo de crescimento, iniciado em Maio de 2024”.

O seu comportamento no ano passado foi influenciado, entre outros factores, “pelo ajuste dos preços dos transportes públicos, do gasóleo, das propinas nas escolas privadas e públicas, da actualização dos preços dos serviços de telecomunicações, assim como do período de veda no sector das pescas, nos meses de Junho e Julho”.

A PME 2025 também aponta que o “contexto da economia internacional continuará a ser caracterizado pela manutenção do ritmo de crescimento económico, desaceleração da inflação e, por conseguinte, das taxas de juros”.

Da segunda reunião ordinária deste órgão, que decorreu em Luanda sob a orientação do Presidente da República, João Lourenço, também saíram recomendações relacionadas com a aceleração das reformas que estão em andamento.

Desse modo, segundo um comunicado do Governo, a Comissão Económica do Conselho de Ministros recomendou a “aceleração das reformas estruturais em curso para apoiar o processo de diversificação da actividade económica”.

Esta medida visa elevar os níveis de segurança alimentar e nutricional, assim como a criação de empregos dignos para os cidadãos.

Entre as recomendações do órgão consta ainda a “continuidade do processo de consolidação fiscal, de modo que sejam reforçadas as medidas conducentes a um crescimento sustentado”.

“Todos os sectores foram aconselhados a ter um melhor empenho, no sentido de se assegurar a manutenção dos resultados positivos, visando a criação de uma economia cada vez mais inclusiva, capaz de proporcionar melhores condições de vida aos cidadãos”, lê-se na nota.

Estas recomendações são fruto da avaliação realizada ao Memorando sobre a Evolução do PIB de 2024, “que indica um crescimento da economia nacional de cerca 4,43 por cento”.

“O documento destaca o dinamismo do sector não petrolífero com 5,15 por cento, como resultado das medidas de estímulo à economia e dinamização do seu potencial, assim como o desempenho positivo do sector petrolífero, incluindo o gás, com cerca de 2,9 por cento”, refere a nota, que acrescenta que “contribuições significativas vieram do sector da Agricultura, que, durante o ano, registou um crescimento de 3,47 por cento, pescas 12 por cento, transportes 10 por cento, construção quatro por cento e electricidade com cinco por cento”.

Segundo o Executivo, este crescimento deveu-se à “implementação efectiva de um conjunto de programas que constam do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027 e dos projectos do Programa de Investimento Público (PIP)”.

“Contribuíram igualmente as iniciativas de operadores do sector privado, o que permitiu aumentar a produção nacional de bens alimentares, com o propósito de elevar os níveis de segurança alimentar e nutricional”, refere a nota.

Na ocasião, falando aos jornalistas, Luís Epalanga, secretário de Estado do Planeamento, referiu que se trata do “crescimento verificado mais expressivo” da última década, acrescentando que a expectativa do Governo é que nos “próximos anos se mantenha esse ritmo para a redução das taxas de desemprego e os níveis de preço que permanecem elevados”.

“A única forma de podermos sentir esse crescimento é devolvermos o poder de compra às famílias, gerar empregos, fundamentalmente para os jovens. Mas não basta que registemos crescimento só num ano ou nuns trimestres, tem que ser consistente ao longo do período”, afirmou o secretário de Estado.

Na reunião, foi ainda analisado o despacho presidencial que “autoriza a cedência temporária das infra-estruturas agro-pecuárias do Planalto de Camabatela”.

“As infra-estruturas serão entregues à Cooperativa Pecuária do Planalto de Camabatela (COOPLACA) e incluem o Centro Integrado de Comercialização de Gado, as Feiras e Leilões de Camabatela, o Edifício do Gabinete de Desenvolvimento do Planalto de Camabatela, o Laboratório e os Postos de Inspecção e Fiscalização Veterinária, localizadas nos municípios de Cangandala, Lucala, Camavo, Bungo e Sanza Pombo”, informa o Governo, que considera “essa concessão necessária para que as infra-estruturas se tornem efectivamente funcionais e rentáveis, e os produtores pecuários possam gerar empregos, impulsionar o turismo rural e arrecadar receitas para o Estado, entre outros benefícios”.

Entre outras matérias, a comissão foi igualmente informada sobre o Plano Estratégico da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros para o período 2025-2029.

C/VA

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