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Tolerância eleitoral não será eterna: UNITA quer pacto político para travar violência após eleições

A UNITA anunciou que vai avançar, nos próximos meses, com uma proposta de pacto de transição política destinada a evitar instabilidade, conflitos e violência no período pós-eleitoral em Angola, numa altura em que o país se prepara para novas eleições gerais.

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Em declarações à Lusa, o presidente do maior partido da oposição, Adalberto Costa Júnior, afirmou que o documento pretende criar garantias mínimas de estabilidade democrática após o escrutínio, defendendo um compromisso entre os principais actores políticos para assegurar um ambiente pacífico e institucionalmente responsável depois da votação.

O líder da UNITA explicou que a iniciativa será debatida na sociedade civil, na academia e entre os partidos políticos, sublinhando que as eleições devem ser encaradas como um exercício normal da democracia e não como um momento de medo ou tensão. Para Adalberto Costa Júnior, quem governa deve aceitar o diálogo e compreender que o poder resulta da confiança popular.

Segundo o dirigente, o pacto de transição visa estabelecer limites claros no período pós-eleitoral, promover reformas e evitar cenários de perseguição política. “Angola precisa de estabilidade e não de caça às bruxas”, frisou, defendendo uma postura responsável de todos os intervenientes no processo político.

Adalberto Costa Júnior recordou que, nas eleições de 2022, a ausência de violência resultou de um apelo directo seu à contenção, apesar das alegações de fraude eleitoral. No entanto, deixou um aviso claro: a tolerância demonstrada na altura não deve ser interpretada como permissão para repetir práticas de manipulação eleitoral sem consequências políticas ou sociais.

Na mesma entrevista, o presidente da UNITA voltou a acusar o Governo de falta de democraticidade, apontando o controlo do poder judicial, da Comissão Nacional Eleitoral e da comunicação social pública, lamentando nunca ter sido entrevistado pelos órgãos estatais. As eleições estão marcadas para o próximo ano, sem João Lourenço na corrida presidencial, devido ao limite constitucional de mandatos.

C/Lusa