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12 anos depois Angola volta a importar cimento: Dono do Kero vence concurso para introduzir no pais mais de 250 mil toneladas de cimento

Doze anos após ter fechado as portas à importação de cimento, Angola regressa ao mercado externo para suprir uma escassez que já pressiona preços e ameaça o sector da construção, numa operação avaliada em 250 mil toneladas, adjudicada ao grupo Anseba, actual gestor da cadeia de hipermercados Kero.

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A decisão surge na sequência da quebra acentuada da produção interna, fortemente afectada pela paralisação quase total da Cimento de Angola (CIF), privatizada em 2024, situação que reduziu drasticamente a oferta e reacendeu um problema que o país julgava ultrapassado desde 2014.

Para travar o impacto no mercado, o Ministério da Indústria e Comércio lançou, em Janeiro, um concurso público internacional para a importação do produto, vencido pelo único concorrente, o grupo Anseba, de origem eritreia, que ficará responsável pelo fornecimento do cimento até ao final do primeiro semestre do ano.

A operação será executada em duas fases: a primeira prevê a entrada de 150 mil toneladas até 31 de Março, enquanto o segundo lote, com as restantes 100 mil toneladas, deverá chegar ao país até Junho, numa tentativa de aliviar a pressão sobre os estaleiros e conter a escalada de preços.

Esta não é a primeira intervenção recente do Executivo, já que em 2024 Angola recorreu à importação de 150 mil toneladas para responder à procura interna, após anos de excepções pontuais à proibição que vigorou quando a capacidade nacional, então suficiente, dispensava o recurso ao exterior.

As 250 mil toneladas agora previstas representam cerca de três por cento da capacidade anual instalada do país, estimada em 8,5 milhões de toneladas, num contexto em que a escassez elevou o preço do saco de 50 quilos para valores próximos dos 10 mil kwanzas no final de 2025.