Grupo Carrinho e o risco da oligarquização da economia angolana
A consolidação do Grupo Carrinho no centro do sistema económico angolano intensificou-se a partir de 2018, coincidindo com o início da governação de João Lourenço, período em que o conglomerado passou de operador relevante a actor dominante em sectores estratégicos, com o Banco de Fomento Angola (BFA) agora no horizonte.

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Fundado em Setembro de 1992, o grupo conheceu uma expansão acelerada nos últimos anos, beneficiando de financiamentos considerados privilegiados e materializando a sua nova dimensão com a inauguração, a 29 de Novembro de 2019, do Complexo Industrial Carrinho, na Catumbela, província de Benguela, composto por 17 unidades fabris.
Sob a liderança de Nelson Carrinho, o conglomerado alargou rapidamente a sua presença no sector financeiro, após assumir posições no Banco Keve e no BCI, reforçando a sua influência económica num curto espaço de tempo.
A mais recente movimentação envolve a entrada do grupo na estrutura accionista do BFA, num contexto em que já detém o controlo da segurança das principais minas diamantíferas do país, alimentando preocupações sobre a crescente concentração de activos estratégicos nas mãos de um único operador privado.
Para o presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, o fenómeno ultrapassa a lógica de mercado. “Concentram-se bancos, concentram-se recursos estratégicos, concentra-se poder. Não é desenvolvimento: é captura do Estado. Não é mercado: é oligarquia”, advertiu, reagindo à expansão do grupo.
A sucessão de aquisições e a amplitude dos sectores abrangidos voltam a colocar no centro do debate público a relação entre poder político e grandes grupos económicos, numa altura em que se questiona quem poderá travar o avanço dos novos protagonistas do poder financeiro em Angola.
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