Altos dirigentes envolvidos em contrabando de combustível, denuncia ministro de Estado
O envolvimento de altos dirigentes, como por exemplo governantes e ex-governantes, generais, entre outros, em contrabando de combustível para a vizinha República Democrática do Congo (RDC) foi denunciado por Francisco Furtado, ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República. A denúncia foi feita esta Terça-feira, depois de um encontro da comissão sectorial, estabelecida pelo Presidente da República para lutar contra os crimes transfronteiriços, sobretudo o contrabando de combustível, imigração irregular e pesca ilegal.

Registro autoral da fotografia
Em declarações à imprensa, no Soyo (Zaire), citadas pela Angop, o ministro disse estarem identificadas algumas individualidades implicadas em contrabando de combustível. Entre elas constam governantes, ex-governantes, oficiais generais, oficiais comissários, autoridades administrativas em termos provinciais e municipais e autoridades tradicionais.
O ministro adiantou que mais de metade (52 por cento) das ocorrências de contrabando de combustível em Angola acontecem no Zaire, acrescentando que a reunião foi uma oportunidade para dialogar com as autoridades do governo provincial no sentido de em conjunto analisarem estratégias para combater este problema.
Segundo Francisco Furtado, “o país vive um fenómeno grave que é o contrabando de combustível”.
Na ocasião, aproveitou ainda para recordar que já há uma lei que torna essa conduta ilegal, considerando-a uma ameaça à segurança do país.
O governante alertou que os envolvidos nesta actividade ilegal vão ser punidos pela lei, podendo até vir a perder os seus cargos, como aconteceu na Lunda Norte e Lunda Sul, no quadro da luta contra a mineração ilegal de diamantes.
Segundo o ministro de Estado, citado pela Angop, a grande quantidade de postos de combustível na província do Zaire contribui igualmente para a propagação do contrabando, sendo que o Zaire recebe grandes volumes de combustíveis, pórem grande parte acaba por ser desviada para o país vizinho (RDC).
Francisco Furtado identificou a liberalização no processo de emitir licenças para venda de produtos que derivam do petróleo como o motivo principal do grande número de postos de combustível na zona, tendo garantido que a comissão vai actuar para mudar esse cenário e informado que uma das acções a adoptar para mudar essa situação vai passar por controlar e fiscalizar nos postos de obtenção de combustível em Luanda e nos camiões que levam o produto para o interior de Angola.
Segundo o ministro, a equipa decidiu igualmente fixar um período de 30 dias para deter as actividades ilegais no terminal fluvial de Kimbumba (Soyo), devido a considerar-se que este local tem concorrido de forma significativa para o contrabando de vários produtos para a RDC.
Por outro lado, afirmou ainda que se trabalhará no impulso do terminal fluvial de passageiros e mercadorias do Soyo, cuja gestão é da responsabilidade da Secil Marítima, com recursos que tenham capacidade para impulsionar a viagem Soyo-Cabinda, escreve a Angop.
Além de Francisco Furtado, o encontro de trabalho também foi teve presente Adriano Mendes de Carvalho, governador do Zaire.
VA
PONTUAL, fonte credível de informação.
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