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Angola propõe nova trégua enquanto combates persistem na RDCongo

A União Africana lançou um apelo firme ao Governo da República Democrática do Congo e ao movimento rebelde M23 para que respeitem, sem reservas, o acordo de cessar-fogo, num momento em que os combates continuam a lançar incerteza sobre a estabilidade da região.

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Em comunicado divulgado na noite de quinta-feira, o presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, instou as partes a cumprirem integralmente os termos acordados e a manterem uma participação construtiva nos processos políticos e de segurança em curso. Apesar de reconhecer sinais de compromisso, advertiu que só um mecanismo claro e mutuamente aceite poderá garantir o respeito efectivo da trégua e a protecção da população civil.

O responsável destacou ainda o papel determinante de organizações regionais, como a Conferência Internacional dos Grandes Lagos, na supervisão do Mecanismo Conjunto de Verificação Alargado Plus, instrumento criado para monitorizar a implementação do cessar-fogo no terreno.

O apelo surge meses após a assinatura, em Washington, de um acordo entre o Presidente congolês, Félix Tshisekedi, e o Presidente ruandês, Paul Kagame, sob mediação norte-americana. O entendimento previa o fim das hostilidades, a retirada de tropas ruandesas e a cessação de apoios às milícias armadas. Contudo, Kinshasa denuncia que os confrontos persistem e que o M23 mantém avanços em várias cidades do leste do país.

Perante o impasse, Angola propôs que o cessar-fogo entre o Governo congolês e o M23 entre em vigor ao meio-dia de 18 de Fevereiro, aguardando-se uma declaração pública das partes. A iniciativa resulta de um encontro realizado em Luanda que reuniu João Lourenço, Faure Gnassingbé, Félix Tshisekedi e o antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo.

Com a crise a ameaçar alastrar, a mediação angolana ganha novo fôlego num conflito que, desde 2021, reacendeu temores de guerra regional. Entre pressões diplomáticas e avanços militares no terreno, a região permanece à espera de um cessar-fogo que ainda não se traduziu em paz efectiva.